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Tratamentos contra câncer e os impactos no coração

Tratamentos contra câncer e os impactos no coração

17/06/2021 às 09h55 Atualizada em 17/06/2021 às 12h55
Por: Redação
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Problemas cardiovasculares são comuns nos pacientes oncológicos, sejam eles decorrentes da doença ou dos medicamentos empregados para vencê-la — Foto: PDPics para Pixabay
Problemas cardiovasculares são comuns nos pacientes oncológicos, sejam eles decorrentes da doença ou dos medicamentos empregados para vencê-la — Foto: PDPics para Pixabay

Cardiotoxicidade foi tema de aula no 41º Congresso Virtual da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

Ninguém discute a importância dos tratamentos contra o câncer, que têm se tornado cada vez mais eficientes ao longo dos anos. No entanto, justamente porque as pesquisas nessa área cresceram e se aprofundaram na mesma proporção, uma nova especialidade surgiu na medicina: a da cardio-oncologia. Isso porque os problemas cardiovasculares são comuns nos pacientes oncológicos, sejam eles decorrentes da doença ou dos medicamentos empregados para vencê-la.

E o que é a cardiotoxicidade, ou toxicidade cardíaca? Tanto os quimioterápicos tradicionais quanto os mais modernos, assim como os medicamentos conhecidos como terapia-alvo, que agem nas células tumorais, podem causar danos ao músculo cardíaco e levar à insuficiência cardíaca – durante o tratamento ou até anos depois. Apesar do aperfeiçoamento do equipamento utilizado na radioterapia, ela também provoca lesões. É possível ainda ocorrer uma manifestação subclínica, ou seja, quando não há sintomas e somente exames de acompanhamento detectam a complicação.

Esse foi um dos temas no 41º Congresso Virtual da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), realizado semana passada. Como explicou a cardiologista Tatiana Galvão, médica do Hospital Albert Einstein, além da insuficiência cardíaca, as manifestações clínicas da cardiotoxicidade podem ser: arritmias, isquemia miocárdica, disfunção ventricular esquerda assintomática, hipertensão arterial sistêmica, doença pericárdica e valvar e eventos tromboembólicos.

“A prevalência de hipertensão arterial sistêmica é maior nos pacientes com câncer e sobreviventes se comparada com a população em geral, e a exposição à quimioterapia é um fator de risco que pode se somar a outros, como hipertensão pré-existente, idade acima dos 60 anos e obesidade”, afirmou a médica. O doente está mais sujeito a arritmias por causa dos chamados distúrbios hidroeletrolíticos, provocados por vômitos e diarreia; ou de remédios como antibióticos, antiheméticos e antidepressivos, entre outros. O trabalho em equipe do oncologista e do cardiologista é fundamental, porque a intervenção conjunta depende do tipo de câncer e das drogas que serão utilizadas.

Como enfatizou a cardiologista Monica Samuel Ávila, do núcleo de transplante cardíaco do Instituto do Coração, há estratégias de manejo da cardiotoxicidade, com fármacos cardioprotetores e acompanhamento para a detecção de qualquer alteração. “Além de tratar as comorbidades associadas, é fundamental promover um comportamento saudável, com dieta balanceada, cessação do tabagismo, controle do peso e atividade física. O exercício aeróbico melhora a função cardiorrespiratória e imunológica, reduz os efeitos colaterais, estresse, ansiedade, depressão e o tempo de hospitalização”, enumerou.

Outro tema abordado na quinta-feira, primeiro dia do evento, foi o quadro preocupante da saúde da população mais velha: apenas 22.3% dos idosos brasileiros não apresentam doença crônica, de acordo com a última edição das Diretrizes em Cardiogeriatria, de 2019. As recém-lançadas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial apontam que cerca de 65% dos acima de 60 anos apresentam o problema.

Fonte: G1

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