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Breno Altman: Não temos o direito de nos surpreender com os militares

Breno Altman: Não temos o direito de nos surpreender com os militares

12/06/2021 às 11h25 Atualizada em 12/06/2021 às 14h25
Por: Redação
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Breno Altman (Foto: Brasil247 | ABr)
Breno Altman (Foto: Brasil247 | ABr)

O jornalista analisou a história das Forças Armadas e destacou que, ao longo de toda a sua história, seu principal papel foi apoiar os interesses das elites. “A história deles é de péssima qualidade”.

O jornalista Breno Altman, em entrevista à TV 247, analisou a história das Forças Armadas brasileiras e afirmou que o papel do Exército na sua formação era a defesa da aristocracia escravocrata. Ao longo dos anos, vozes nacionalistas de dentro dos quartéis foram relegadas, lembrou.

Altman destacou que a origem do Exército brasileiro foi na Guerra do Paraguai, conflito motivado pelos interesses da aristocracia da terra e dos senhores de escravo: “Primeiro, não temos nem o direito de nos surpreender. A história do Exército brasileiro é de péssima qualidade, da pior qualidade possível. E o que eles estão fazendo agora é o que eles fizeram ao largo de quase toda sua história”.

“O Exército brasileiro foi formado numa guerra sanguinária e a serviço dos senhores de terra do Brasil que foi a Guerra do Paraguai. Ali se forma o Exército brasileiro, e ali se forma o Exército brasileiro como o braço armado da aristocracia da terra e dos senhores de escravo. Aliás, todos esses patronos do Exército brasileiro, Caxias, Tamandaré, Osório, todos eles eram latifundiários donos de escravos. Todos eles serviram a aristocracia da terra, a aristocracia escravocrata”, resgatou.

O jornalista avaliou que o papel de servir como instrumento das elites influenciou a atuação do Exército historicamente. “E o Exército brasileiro nasce na guerra do Paraguai como instrumento da aristocracia da terra, da aristocracia escravocrata. E como esse instrumento das elites do país é que ele vai se conduzir ao longo de toda sua história, independentemente do fato, é claro, de que no interior do Exército brasileiro nós tivemos oficiais de grande valor patriótico, democrático, revolucionários. Não podemos nos esquecer de Luís Carlos Prestes, Carlos Lamarca, Henrique Teixeira Lott, de vários oficiais nacionalistas e patriotas”, disse.

Para Altman, todos os acontecimentos em que as Forças Armadas estiveram envolvidas, desde a Guerra de Canudos até a cumplicidade com o governo Bolsonaro, ilustram o caráter elitista da instituição: “Mas o fato é que o Exército brasileiro nasceu como uma força a serviço dos senhores de escravos. Na história do Exército brasileiro, o que é que nós temos? Massacre sanguinário sobre Canudos, a formação da República Velha, tiveram um interregue de bom senso em 1930, quando apoiam a posse de Getúlio Vargas, em seguida as Forças Armadas são a espinha dorsal do golpe do Estado Novo em 1937, vai à febre na Europa em 1942 quando a influência nazista, a começar pelo general Góis Monteiro, era enorme, chegam na Itália e se subordinam inteiramente aos Estados Unidos, esse mesmo Exército derrubaria Getúlio Vargas em 1945, conspiraria contra Getúlio entre 1950 e 1954 até levar ao seu suicídio, daria o golpe de Estado em 1964, e agora é cúmplice de um governo que tem 500.000 mortes nas suas costas”.

 

Fonte: Brasil 247

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