
"No andar da carruagem, a CPI da Covid já pode fechar relatório responsabilizando Bolsonaro. Não só demorou como não quis comprar vacinas para proteger o povo por pura ideologia nefasta. O depoimento de Dimas Covas foi a pá de cal para mostrar que houve dolo por parte do genocida", postou a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, em seu twitter.
A falta de resposta a ofertas, atraso e paralisação em processo de compra da vacina CoronaVac foram apontados como destaques do depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, até o momento, na avaliação da área técnica de assessoramento do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).
O relator é responsável pela produção de um parecer sobre as investigações promovidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a ser chancelado pelo colegiado e toma como base destaques, informações e divergências entre os depoimentos para construir sua linha de apuração.
"O Brasil poderia ser o primeiro país do mundo a começar a vacinação, não fossem os percalços que nós tínhamos que enfrentar durante esse período, tanto do ponto de vista do contrato, como do ponto de vista também regulatório", disse Dimas Covas em depoimento desta quinta-feira à CPI.
O diretor relatou que ainda em julho de 2020, pouco depois de o instituto iniciar os estudos clínicos da CoronaVac no Brasil, o Ministério da Saúde foi procurado, por meio de ofício, com uma oferta de entrega de 60 milhões de doses até o final do ano.
"Um pouquinho depois, como não houve aí uma resposta efetiva, nós reforçamos o ofício e, em agosto, nós solicitamos, além de reforçar o ofício, apoio financeiro ao ministério para apoiar o estudo clínico", disse.
"Um estudo clínico dessa dimensão custa muito caro. Nós tínhamos uma previsão de gastar em torno de 100 milhões de reais nesse estudo clínico. Então, nós solicitamos um apoio do ministério, no sentido de que permitisse a gente suportar esses gastos, e solicitamos também um apoio para reformar uma fábrica", relatou Covas, acrescentando que não obteve resposta positiva aos pleitos.
No caso da reforma da fábrica, explicou, foi sugerido que o instituto buscasse apoio por meio de programa para o desenvolvimento do complexo industrial da saúde. Segundo Covas, essa fábrica terá condições, se estiver pronta até o fim do ano, de funcionar a partir do primeiro trimestre de 2022 com capacidade de produção de 100 milhões de doses ao ano.
Ainda assim, relatou Covas, ministério e Butantan seguiram as negociações, em caráter técnico, que culminaram com a divulgação, em outubro de 2020, da compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. O anúncio, feito pelo então ministro Eduardo Pazuello, teve como testemunhas governadores e parlamentares.
Fonte: Brasil247
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