
Cinema e jornalismo sempre estiveram, historicamente, lado a lado. A dupla já rendeu e rende, até hoje, filmes que marcaram época. O casamento perfeito, entre as partes, tem relação direta com a função dos jornalistas com os enredos de sucesso na cinegrafia. Filmes sobre jornalismo sempre rendem boas histórias, sejam fictícias ou baseadas em fatos reais.
Para efeitos de curiosidade, vale lembrar que tal parceria já foi utilizada na maior premiação de jornalistas, o Prêmio Comunique-se. O “Oscar do Jornalismo Brasileiro”, como é conhecido, utilizou cinema e jornalismo para embalar a temática em duas edições do evento.
Em 2005, a premiação carregou a alcunha de “Super-heróis do jornalismo”. Em alusão à rotina dos jornalistas com as histórias de cinema. O objetivo era enfatizar que, assim como os super-heróis, jornalistas salvam vidas, ajudam a identificar violões e enfrentam adversidades constantemente em seu dia a dia de trabalho.
Na edição de 2014, seguiu a mesma linha de raciocínio. Interligar cinema e jornalismo para criar uma abordagem. “Jornalismo, uma missão quase impossível”. Com o tema da vez relacionando o mundo de agentes secretos com os verdadeiros detetives da informação e da opinião embasada.
Para os amantes da 7ª arte, neste artigo, vamos listar cinco obras que colocaram a imprensa, a notícia, os desafios da reportagem e os bastidores do jornalismo como elemento principal. Confira, abaixo, os grandes sucessos. Não estão, necessariamente, definidos em ordem de qualificação.
Spotlight, certamente, aparece em todas as listas de filmes sobre jornalismo. O longa foi indicado a seis categorias no Oscar em 2016. Levou as estatuetas de melhor filme e de roteiro original. Vale lembrar que a obra é baseada em histórias reais.
O filme retrata as investigações sobre casos de abusos sexuais e pedofilia envolvendo padres católicos. A investigação, à época, foi realizada pelos repórteres do jornal Boston Globe, publicação de alcance regional nos Estados Unidos, e recebeu o Prémio Pulitzer Prize de Serviço Público.
Outro filme aclamado que envolve cinema e jornalismo é o The Post. O longa é ambientado na década de 1970. A obra retrata de forma dramatizada a história do confronto entre Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos, e o jornal The Washington Post.
O responsável pelo embate entre as partes é o documento secreto do governo. O jornal teve acesso a informações que mostravam o envolvimento do país na Guerra do Vietnã. O documento é conhecido como Pentagon Papers. A atribuição do nome foi dada pelo The New York Times.
Voltando no tempo, não podemos deixar de mencionar o clássico do gênero. Para os amantes do jornalismo investigativo é um prato cheio. All the President’s Men é baseado no livro que carrega o mesmo nome. O filme é de 1976 e o livro, que o inspirou, de 1974.
O filme Todos os homens do presidente é baseado em fatos reais. A obra relata o escândalo de Watergate para o jornal Washington Post. Na ocasião, dois jornalistas descobriram um esquema de lavagem de dinheiro e espionagem por parte do então presidente estadunidense, o já mencionado Richard Nixon, que por causa disso precisou renunciar (ele já era alvo de processo de impeachment).
Agora, voltando ainda mais no tempo. Um dos mais aclamados do gênero e da história do cinema não poderia ficar de fora da lista. Cidadão Kane. Aos adeptos de jornalistas e àqueles que desejam cursar, certamente, é um filme obrigatório. Foi considerado um grande marco de inovação e revolução. O filme ostenta uma estatueta do Oscar, como melhor roteiro. À época, foi indicado a nove categorias.
A obra é inspirada na vida de um magnata da imprensa, William Randolph Hearst. O filme narra a história de Charles Foster Kane, que de um menino pobre se tornou um dos homens mais ricos do mundo. Cidadão Kane é narrado por meio de memórias resgatadas por um jornalista.
Retornando aos filmes mais recentes e para fechar a nossa lista: O Abutre. O filme traz uma grande reflexão sobre o sensacionalismo. Resumidamente, a história retrata um jovem que se aventura no jornalismo (independente) criminal.
Ao lado de um colega, Lou Bloom (Jake Gyllenhaal) decide correr atrás de cenas de crime para registá-las. O objetivo era simples: fazer dinheiro com materiais sensíveis. Com os registros em mãos, vendia os materiais para a imprensa e gerava lucros com o jornalismo “espreme que sai sangue”.
Prestigiando o cinema brasileiro, vale mencionar o filme Contra a Parede. Protagonizado por Antônio Fagundes, a obra traz reflexão sobre problemas éticos no jornalismo. Poucos meses antes das eleições, um veterano apresentador de um telejornal se encontra em uma situação complicada.
Dois dos candidatos à presidência são amigos pessoais do jornalista. Às vésperas de sua aposentadoria, o protagonista vive o conflito de deixar a amizade de lado com os candidatos e resgatar a essência do (bom) jornalismo. Além disso, em determinado momento, o experiente âncora deixa se levar por informações inverídicas lançadas por um dos políticos envolvido na trama. Após constatar que disseminou uma mentira, ele se organiza para divulgar a verdade, mesmo que isso possa lhe custar o emprego
Fonte: Comunique-se
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