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Covid-19: Novas variantes dificultam a imunidade de rebanho

Covid-19: Novas variantes dificultam a imunidade de rebanho

17/05/2021 às 15h35 Atualizada em 17/05/2021 às 18h35
Por: Redação
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Vacinação em massa para maiores de 50 anos no Centre Civic Montserrat Roig, em Terrasa (Barcelona).CRISTÓBAL CASTRO
Vacinação em massa para maiores de 50 anos no Centre Civic Montserrat Roig, em Terrasa (Barcelona).CRISTÓBAL CASTRO

Os principais indicadores da pandemia irão evoluir de forma positiva, mas isso não será o suficiente para eliminar as restrições ou o uso de máscaras.

O avanço da vacinação trouxe otimismo sobre o futuro da pandemia na Espanha. Com grande parte da população vulnerável já imunizada e 14,9 milhões de pessoas (31,4% dos cidadãos) tendo recebido pelo menos uma dose, os especialistas pressupõem que os principais indicadores da evolução do coronavírus —incidência, hospitalizações e mortes— diminuirão acentuadamente nos próximos meses. Mas a imunidade de rebanho, avisam, não será alcançada este ano e, no momento, é difícil prever se o planeta chegará algum dia a ela, considerando a ameaça das novas variantes e a falta de vacinas para imunizar no médio prazo toda a população mundial.

“O vírus não vai desaparecer tão rapidamente, se é que vai desaparecer”, alerta Antoni Trilla, chefe do serviço de Medicina Preventiva do Hospital Clínic (Barcelona). “Caminhamos para a normalidade, mas as infecções continuarão. Em vez de imunidade de rebanho, falamos, neste caso, de controle funcional da pandemia. Não vamos conseguir nos despedir da máscara tão rapidamente”, prevê.

Desde o início da pandemia se repete que a imunidade de rebanho —também chamada de imunidade de grupo, situação em que o percentual de imunizados impede a circulação do vírus e, portanto, protege também os não vacinados— seria alcançada quando 70% da população tivesse recebido suas doses. Um momento para o qual faltam apenas “100 dias” na Espanha, segundo anunciou nesta semana o presidente do Governo (primeiro-ministro), Pedro Sánchez.

O problema é que esses 70% não serão mais suficientes por causa das novas variantes. Quique Bassat, epidemiologista e pesquisador do instituto ISGlobal (Barcelona), explica que “a porcentagem de pessoas que precisam ser vacinadas depende do número reprodutivo básico de cada vírus, o R”, que indica quantos novos casos cada positivo desencadeia, em média.

“Há um ano, o R para SARS-CoV-2 era estimado em 2 a 3 e é daí que veio a meta de 70%. Mas agora existem variantes mais contagiosas e o R pode estar entre 3 e 5. Uma doença mais transmissível obriga a vacinar mais pessoas. Talvez sejam necessários 80% ou 90% agora”, explica Bassat. O sarampo, ainda mais contagioso —com um R maior que 12— exige a vacinação de mais de 95% da população para se obter imunidade de grupo.

Mais população a ser vacinada requer mais tempo e isso repercutirá no ritmo em que o país seguirá em direção a uma vida sem restrições ou máscaras. “Será um processo mais lento e progressivo, não algo que possa ser feito da noite para o dia”, admite Clara Prats, pesquisadora em Biologia Computacional da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), que está desenvolvendo um modelo para prever com que velocidade isso poderá ser feito de acordo com diferentes cenários.

Na Espanha, país conhecido internacionalmente por sua adesão às vacinas, não se considera um exagero que taxas muito altas de imunização possam ser alcançadas. Mas, nos Estados Unidos, paradoxalmente o grande país onde a vacinação começou mais rápido, cresce a preocupação com a relutância de alguns setores da população em se imunizar. Isso levou vários especialistas a expor ao The New York Times suas dúvidas de que seja possível alcançar a imunidade de rebanho nos EUA.

De qualquer forma, os especialistas concordam que “o importante agora é avançar e vacinar o maior número possível de pessoas”. Mesmo sem atingir a imunidade de rebanho, explicam eles, o impacto da doença pode ser reduzido ao mínimo e o retorno à normalidade pode ser quase completo. “Isto não é um tudo ou nada. Nem com o sarampo conseguimos evitar a continuação dos casos e convivemos com isso quase sem nenhum problema”, lembra Trilla.

Santiago Moreno, chefe de Doenças Infecciosas do Hospital Ramón y Cajal, considera que “é possível encurralar o vírus para que, se não for possível fazê-lo desaparecer, seja reduzido a uma expressão mínima, com poucos casos e quase todos leves”.

Bassat prevê dois cenários: “Em médio prazo, com entre 50% e 80% da população vacinada, teremos algumas centenas de casos por dia e uma enorme queda de hospitalizações e óbitos. Nesta fase, embora de forma mais relaxada, ainda será necessário manter algumas medidas preventivas”. “Em longo prazo, haverá surtos localizados com relativamente pouca importância clínica. Os grupos mais vulneráveis estarão protegidos e será possível localizar e isolar todos os afetados, rastrear contatos, vacinar ou revacinar ... “, acrescenta. Nesse ponto, a normalidade estará muito próxima.

Os especialistas se recusam a apontar uma data específica para quando esse momento chegará, embora tendam a situá-lo no final deste ano ou no primeiro semestre de 2022. Há uma concordância em que a máscara em espaços abertos sem aglomeração, uma medida cada vez mais questionada, não demorará muito para ser deixada de lado.

“O ponto crucial serão os espaços fechados com muitas pessoas de diferentes origens. Lá teremos que continuar usando máscara e o certificado de vacinação será importante”, continua Bassat.

 

Fonte: El País | Internacional

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