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Estudo defende a vacinação dos pobres em primeiro lugar

Estudo defende a vacinação dos pobres em primeiro lugar

03/05/2021 às 09h36 Atualizada em 03/05/2021 às 12h36
Por: Redação
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Vacinação no Brasil: estudo defende que pessoas mais pobres devem ter prioridade na vacinação quando os idosos terminarem de ser vacinados (Alexandre Schneider/Getty Images)
Vacinação no Brasil: estudo defende que pessoas mais pobres devem ter prioridade na vacinação quando os idosos terminarem de ser vacinados (Alexandre Schneider/Getty Images)

A população pobre sofreu mais com o coronavírus. Essa leitura, já amplamente reconhecida, levou a medidas como doações empresariais e o auxílio emergencial aprovado duas vezes no Congresso. Mas um novo estudo liderado por pesquisadores no Brasil e no exterior defende que essas evidências devem ser usadas para pensar, também, a vacinação.

Publicado na última semana na revista científica BMJ Global Health, o artigo usa como base a geografia do estado de São Paulo para mostrar como a covid-19 e fatores como raça, renda e CEP estão, infelizmente, altamente relacionados. Os resultados são devastadores: as populações de localidades mais pobres não só contraem mais a covid-19, como morrem mais depois que pegam a doença. O mesmo vale para indivíduos pretos e pardos quando comparados a brancos.

Os padrões de isolamento, medidos no estudo por dados do IBGE e de celulares, corroboram a tese, segundo os autores. "Os bairros de mais alta renda e de população branca começam a se isolar antes, se isolam mais rápido, e se isolam com mais intensidade. E, depois, conseguem manter esse isolamento", afirma Rafael Pereira, um dos autores da pesquisa e especializado em estudos urbanos no Ipea. "Por isso, à medida em que terminarmos de vacinar o grupo de risco, seria importante o governo usar critérios socioeconômicos", diz.

O estudo é liderado também por Sabrina Li, da Universidade de Oxford, e Carlos Augusto Prete Junior, da Universidade de São Paulo. Além da equidade, há argumento epidemiológico, defendem os autores: o grupo mais vulnerável, ao seguir contraindo a covid-19 em maior proporção, torna mais difícil o combate à pandemia. "Não faz sentido vacinar primeiro uma pessoa que pode continuar em casa", diz Pereira.

Sobre a relação entre raça e covid, o pesquisador admite que é complexo o tema de priorizar grupos raciais ou mesmo classes de trabalhadores vistos como mais vulneráveis nos resultados do estudo -- como faxineiras ou entregadores. Por isso, argumenta que há opções como vacinar os cadastrados no CadÚnico, base que já é usada para delimitar uma série de políticas sociais, além da instalação de postos de vacinação prioritários em certas regiões. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Rafael H.M. Pereira, do Ipea: governo deveria usar critérios socioeconômicas na vacinação dos mais jovens

Rafael H.M. Pereira, do Ipea: governo deveria usar critérios socioeconômicas na vacinação dos mais jovens (Rafael Pereira/Arquivo Pessoal/Reprodução)

Uma frase bastante ouvida, especialmente no começo da pandemia, é de que "o vírus é democrático", pois mesmo pessoas ricas têm sido vítimas da covid-19. O vírus é menos democrático do que pensávamos?

Rafael Pereira - O primeiro ponto é que essa ideia de que o vírus é democrático é absolutamente falsa. Há um impacto muito maior em alguns grupos do que outros. Assim que o coronavírus entra no Brasil, havia um perfil de alta renda e de brancos entre os infectados. A partir de abril e maio, isso se inverte de forma muito clara. O vírus entrou pelas classes mais altas, vindo do exterior, mas muito rapidamente, quando passamos a ter contágio comunitário, os mais afetados se tornam a população negra e de baixa renda.

Nosso estudo junta dados de monitoramento epidemiológico, pesquisa domiciliar, deslocamento via telefone celular, uma grande quantidade de fontes para ajudar a montar esse quebra-cabeça. O que tentamos fazer é avaliar se há uma desigualdade na pandemia em dois estágios: primeiro, no risco de uma pessoa se contaminar; e uma vez que ela está contaminada, no risco de morrer. Em ambos, a população mais pobre está mais exposta. E há uma grande intersecção aqui entre essa população pobre e a população negra.

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