

RIO — Em um ano de pandemia, o Brasil fechou 7,8 milhões de postos de trabalho. É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, divulgada nesta sexta-feira.
No trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego no Brasil chegou a 14,4%. Com o resultado, o país tem 14,4 milhões de pessoas na fila por uma vaga, o maior contigente desde o início da série histórica, inciada em 2012.
Em fevereiro do ano passado, antes da pandemia, a taxa estava em 11,6%.
Já no trimestre imediatamente anterior - encerrado em novembro - a taxa estava 14,1%, o que representa estabilidade, segundo o IBGE, pois a variação é considerada pequena. Houve um incremento de 400 mil pessoas à população desocupada nos últimos três meses.
Os dados da Pnad trazem números tanto do mercado formal como do informal e são trimestrais, não mensais. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cujos dados de março mostraram a criação de 184,1 mil vagas, considera apenas os trabalhadores que tem carteira de trabalho assinada.
Especialistas estimam que as novas restrições impostas pelo agravamento da pandemia nos meses de março e abril tendem a dificultar a retomada do mercado de trabalho e a diminuir o contingente de pessoas em busca de uma vaga.
Além disso, a demora até a publicação de medidas emergenciais do governo, como a reedição da MP 936, deve produzir reflexos negativos na manutenção de postos de trabalho. Setores da indústria e do comércio relataram demissões com a demora da publicação da medida.
O economista e professor da Fipecafi, Samuel Durso, avalia que a espera para o anúncio de medidas emergenciais pode fazer a taxa de desocupação chegar a 15%, um total aproximado de 15 milhões de desempregados no país, projeta:
— O mais provável é que esses benefícios sejam percebidos apenas no segundo semestre de 2021.
Do total de brasileiros em idade de trabalhar (ou seja, com mais de 14 anos), 48,6% estão sem emprego ou fora do mercado de trabalho. Sequer buscam uma vaga. Este indicador, chamado de nível de ocupação, está em patamar muito baixo. Antes da pandemia, a taxa ficava em torno de 55%.
Ao todo, 5,95 milhões de brasileiros estão nesta situação. São os trabalhadores que estão desempregados, mas nem procuraram vaga na semana da pesquisa. Inclui quem se acha muito jovem, muito idoso, pouco experiente, sem qualificação ou acredita que não encontrará oportunidade no local onde reside. Ou ainda não tem dinheiro para pagar a passagem e procurar uma vaga.
Quase 30% dos brasileiros estão desempregados, trabalhando menos do que gostariam, desalentados ou na força de trabalho potencial (quando a pessoa está desempregada, mas não procurou vaga ou não pode trabalhar por algum motivo qualquer).
São trabalhadores subocupados, que fizeram algum tipo de trabalho, mas que dedicaram menos de 40 horas semanais a isso e gostariam de trabalhar por um período maior. Um profissional freelancer ou alguém que faça bicos e não está conseguindo muitos serviços se encaixa nessa situação.
Se encaixa nesta situação quem procurou uma vaga, mas, por algum motivo qualquer (como, por exemplo, cuidar de um parente doente), não estava disponível para trabalhar na semana da pesquisa do IBGE. Ou quem não procurou uma vaga, mas estava disponível para trabalhar na semana de referência.
Fonte: O Globo
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