
Apesar de nacionalmente o Brasil estar em uma espécie de "platô", em que as mortes seguem em uma curva estável, ainda que alta, o cenário é diverso quando se olha para os estados como um todo. Das 27 unidades da federação, 8 estão com o número de óbitos em viés de elevação nas últimas duas semanas, 8 estão com os números em queda, e 11 estão em situação de estabilidade (variação menor que 15%).
O Rio de Janeiro é um dos estados onde o número de óbitos ainda está em ascensão, apesar de já dar sinais de queda no número de casos de SRAG. A capital se afastou pouco da semana mais mortal do ano, com 863 mortes, e mortes em 6 municípios fluminenses grandes ainda estão em escalada.
Segundo Gomes, é preocupante ver o Rio sendo palco de decisão judicial afrouxar medidas de contenção da pandemia, como restrições no comércio, enquanto a tendência de queda não se confirma no município e as mortes permanecem em alta.
— Já se passou um ano, seguimos cometendo os mesmos erros e temos que continuar repetindo as mesmas coisas — diz.
As análises do Infogripe corroboram o que outros grupos de pesquisa, como o Observatório Covid-19 BR, mais concentrado em São Paulo, enxerga. Dados do grupo mostram que a queda nos índices de SRAG ainda não é consistente, porque em vários dos lugares onde os casos diminuíram, a tendência de redução já desacelerou para estacionar em patamares acima dos do ano passado.
Minas Gerais também está entre os estados onde os óbitos ainda crescem, com 4 das 8 maiores cidades ainda em escalada. Quando a epidemia se agravou em março, o governo colocou várias regiões em estado de "onda roxa", com medidas de contenção são mais rígidas e obrigatórias. Mesmo com as mortes em ainda em alta na semana passada, algumas cidades grandes, incluindo Belo Horizonte e Contagem, puderam regredir para a onda vermelha, menos exigente.
Interior e capitais em sincronia - Segundo Wesley Cota, especialista em modelagem epidemiológica na Universidade Federal de Viçosa, uma diferença da epidemia deste ano em relação a do ano passado é que o interior não precisou "importar" vírus das capitais para ver a situação se agravar. Como o patógeno nunca chegou a níveis baixos em nenhuma região, bastou ocorrer um relaxamento das medidas de contenção na virada do ano para o estado inteiro ver a situação se agravar.
— Nesse ano tem muito município pequeno confirmando mais óbitos agora, com os leitos de UTI ficando ocupados, e doentes precisando buscar leitos fora — afirma o pesquisador.
Segundo Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, a sincronia entre capitais e interior é uma característica importante da epidemia de 2021.
— Não existe aquela diferenciação nítida, como havia em 2020. Para entender as diferenças o melhor é avaliar cada região metropolitana e comparar — diz.
Fonte: Jornal O Globo
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