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Índia atrasará envio de vacinas da AstraZeneca ao Brasil, diz agência

Índia atrasará envio de vacinas da AstraZeneca ao Brasil, diz agência

22/03/2021 às 09h52 Atualizada em 22/03/2021 às 12h52
Por: Redação
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País espera receber mais 8 milhões de doses da Índia nos próximos meses; governo indiano está sendo pressionado para focar na imunização interna.

O Instituto Serum, da Índia, vai atrasar novos envios da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 para o Brasil, disse uma fonte com conhecimento das negociações. Ela informou que o atraso se deve ao aumento da demanda nacional e ocorre enquanto o instituto trabalha em uma expansão da capacidade de produção. As entregas para Arábia Saudita e Marrocos também serão afetadas.

O Brasil espera receber mais 8 milhões de doses da Índia. Nísia Trindade, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem acordo com o laboratório indiano, disse na terça-feira, dia 16, que o Serum vai mandar em abril um cronograma sobre o envio das vacinas. Segundo Trindade, o instituto explicou que a Índia enfrenta a pressão da opinião pública interna para priorizar a vacinação local. E que o laboratório também enfrenta problemas após um incêndio que dificultou o escalonamento da produção e o atendimento da crescente demanda mundial por vacinas contra a Covid-19.

Para compensar o atraso na entrega do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) que deveria ter chegado em janeiro — para a produção de 15 milhões de doses da vacina — a AstraZeneca ofereceu 12 milhões de doses adicionais prontas para o Brasil. Dessas, 4 milhões já foram entregues pelo Instituto Serum em fevereiro e março. Havia a expectativa de o país receber as outras 8 milhões de doses em algumas remessas nos próximos meses. Mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já havia afirmado no dia 8 que o envio foi bloqueado pela Índia.

Procurada pelo GLOBO, a Fiocruz informou que as 8 milhões de doses restantes serão importadas ao longo dos próximos meses, em cronograma ainda a confirmar. A fundação disse que foi informada, por meio de uma carta em 4 de março, sobre o atraso na importação das remessas das vacinas prontas e que "o processo de importação conta com o apoio do governo da Índia e da AstraZeneca, que vem colaborando em todo o esforço de antecipação das vacinas".

Informou ainda que a negociação dessas doses de vacinas prontas é uma "tratativa que segue em paralelo". "As vacinas prontas importadas não constam no calendário de entregas previstas ao PNI para os próximos meses", informou a Fiocruz, em nota.

No entanto, o cronograma do Ministério da Saúde, divulgado no dia 14 de março, prevê a entrega de remessas de 2 milhões de doses importadas da Índia em abril, maio, junho e julho, completando os 8 milhões.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Saúde confirmou que o contrato firmado com o laboratório Serum prevê a entrega de 8 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca importadas da Índia até julho de 2021, com entregas mensais de 2 milhões de doses a partir de abril. "É importante esclarecer que o cronograma de entregas de doses, enviado pelos laboratórios fabricantes para o Ministério, pode sofrer constantes alterações, de acordo com a produção dos insumos", afirmou, em nota.

A pasta não respondeu se o atraso na entrega de doses pelo Serum vai mudar o cronograma atual. O Ministério também informou que o Brasil possui 562 milhões de doses de imunizantes, "após contratos firmados com diversos laboratórios", que serão distribuídas para todo o país em 2021.

Segundo o jornal indiano Times, que relatou os atrasos mais recentes, o Serum informou, em uma carta para a Fiocruz, que o instituto "assinou recentemente acordos adicionais com governos fora do escopo de seu contrato de sublicenciamento original com a AstraZeneca" e para atender a esses compromissos adicionais, iniciou a expansão das instalações de manufatura. "Lamentavelmente, um incêndio em um de nossos prédios atrapalhou a expansão de nossa produção mensal", justifica o documento.

No entanto, na época do incêndio, em janeiro, o instituto disse que o acidente não afetaria a produção de imunizantes contra a Covid-19. Cartas semelhantes foram enviadas às autoridades de imunização de Marrocos e da Arábia Saudita no início deste mês, segundo o jornal indiano.

Atrasos - A notícia do atraso chega no momento em que a Índia, maior fabricante mundial de vacinas, está sendo criticada internamente por doar ou vender mais doses do que as inoculações feitas em casa, apesar de relatar o maior número de infecções por coronavírus depois dos Estados Unidos e do Brasil. O país registra atualmente uma nova onda de aumento de casos da doença, levando o total para cerca de 11,6 milhões.

Os atrasos mais recentes vieram à tona dias depois que a Grã-Bretanha informou que teria que desacelerar a vacinação contra a Covid-19 no mês que vem, já que o Serum provavelmente entregaria as doses mais tarde do que o esperado.

O instituto forneceu metade dos 10 milhões de doses recentemente encomendadas pela Grã-Bretanha. A Arábia Saudita já recebeu 3 milhões de doses e Marrocos 7 milhões, segundo o Ministério de Relações Exteriores da Índia.

A Reuters não conseguiu contatar imediatamente os os governos de Brasil, Arábia Saudita e Marrocos. Procurado, o Instituto Serum não quis comentar.

A fonte, que não quis ser identificada, disse que o Serum está trabalhando para expandir sua produção mensal para 100 milhões de doses até abril ou maio, em comparação com entre 60 milhões e 70 milhões fabricados atualmente, sugerindo que o abastecimento poderia melhorar.

O instituto também fez uma parceria com a AstraZeneca, a Fundação Gates e a aliança de vacinas Gavi para fornecer até um bilhão de doses para países mais pobres.

O Serum pretendia originalmente vender vacinas apenas para países de renda média e baixa, principalmente na Ásia e na África, mas problemas de produção em outras instalações da AstraZeneca o forçaram a enviar imunizantes também para muitos outros países a pedido da empresa britânica.

A Índia doou até agora 8 milhões de doses e vendeu quase 52 milhões de doses para um total de 75 países, principalmente da vacina de Oxford/AstraZeneca produzidas pelo Instituto Serum. O país administrou mais de 44 milhões de doses em sua população desde o início de sua campanha de imunização em meados de janeiro.

 

Fonte: Jornal O Globo

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