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Brasil beira 3.000 mortes diárias por covid-19 enquanto troca na Saúde frustra expectativas por mudanças no combate à pandemia

Brasil beira 3.000 mortes diárias por covid-19 enquanto troca na Saúde frustra expectativas por mudanças no combate à pandemia

17/03/2021 às 19h30 Atualizada em 17/03/2021 às 22h30
Por: Redação
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Ministro Marcelo Queiroga e Eduardo Pazuello - FOTO.EVARISTO SA / AFP.
Ministro Marcelo Queiroga e Eduardo Pazuello - FOTO.EVARISTO SA / AFP.

Marcelo Queiroga diz que política de saúde quem faz é o presidente, que já declarou ser contrário às medidas de isolamento social. Futuro ministro defende máscaras, “união”, mas evita apoiar publicamente medidas de governadores que enfrentam colapso.

As primeiras declarações do futuro ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, demonstram que não haverá giro de 180 graus na coordenação dos trabalhos contra a pandemia de covid-19 enquanto o presidente for Jair Bolsonaro. Nem mesmo com recordes de óbitos sendo batidos diariamente ―nesta terça-feira foram registradas 2.841 mortes―, o mandatário mostra que não vai abrir mão de um de seus cavalos de batalha, o confronto com governadores e prefeitos por causa de lockdowns como medidas de restrição de circulação de pessoas e de contenção do vírus.

Antes de se reunir com o ministro demitido, Eduardo Pazuello, Queiroga sinalizou aos repórteres que não terá autonomia. “A política [de saúde] é do Governo Bolsonaro, e não do ministro da Saúde. O ministro executa”, disse. Após o encontro, à tarde, ele endossou a fala de Pazuello de que haverá continuidade, não uma transição. Ou seja, só sairá o militar, e entrará um médico. A posse de Queiroga deve ocorrer nesta semana e ele deve cumprir agenda no Rio ao lado do ministro demissionário nesta quarta-feira. Queiroga já havia se manifestado em entrevista à CNN Brasil, na segunda-feira, que o lockdown não pode ser política de governo, uma declaração com potencial para irritar governadores pelo país que endurecem as restrições. Na ocasião, ele defendeu que a restrição só deve ser utilizada em situações extremas, sem precisar se considera que a atual situação do país, com 24 Estados com ocupação de UTIs em mais de 80%, como mostra o boletim da Fiocruz, é extrema. Segundo os cálculos do Imperial College, de Londres, a taxa de transmissão da covid-19 é de 1,23, ou seja, 100 infectados transmitem o vírus para 123 pessoas.

Uma das poucas diferenças na conduta do novo ministro será a defesa incisiva do uso de máscaras e de higienização das mãos, medidas que Pazuello só passou a defender na reta final de sua gestão e Bolsonaro, até o momento, jamais a fez. Pelo contrário. É comum ver o presidente circular sem a proteção facial e promovendo aglomerações. Só nos últimos dias, em algumas ocasiões, Bolsonaro usou a máscara. “São medidas simples que podemos ter para evitar de parar a economia de um país. É preciso unir os esforços do enfrentamento da pandemia com a preservação da atividade econômica”, destacou Queiroga.

Um sinal que o futuro ministro fez aos outros gestores da saúde foi o pedido de parceria com secretários municipais e estaduais. No mês passado, a Confederação Nacional dos Municípios pediu a demissão de Pazuello. “Vivemos uma nova onda da pandemia, com muitos óbitos e é preciso melhorar a qualidade da assistência em cada um dos nossos hospitais, sobretudo nas UTIs”, destacou. Ainda pediu o apoio da mídia, que frequentemente é desacreditada e atacada pelo presidente e pelo seu entorno, incluindo Pazuello. “A imprensa é uma grande aliada”, disse.

Seu discurso, de pronto, não convenceu quem acompanha a área de políticas públicas no Brasil. Duas pesquisadoras do tema entrevistadas pela reportagem disseram estar pessimista com os próximos meses. “A única diferença visível é que o novo ministro é um médico. Mas o problema não é o ocupante do cargo, mas o presidente. Ele não admite os erros e não está aberto às modificações. Ele não aceita ministros que não sigam as suas orientações”, destacou a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Telma Maria Menicucci, que é autora de três livros sobre políticas públicas da saúde.

“É uma mudança para dizer que foi centrada na área da saúde, tentando responder a pressão social, mas, na verdade, a postura do Bolsonaro é muito clara, ele é contra o isolamento social e quer continuar confrontando os governadores nessa questão”, avaliou a cientista política Vanessa Elias de Oliveira, professora da Universidade Federal do ABC. Oliveira destaca que, sem vacina para imunizar a maioria da população, a única possibilidade de promover uma queda no número de mortos e casos é com o isolamento social.

Além de rejeitar essas medidas, de maneira subserviente ao presidente, Pazuello atrasou a compra de vacinas; apresentou cronogramas de imunização que não se cumpriram; omitiu-se por um longo tempo na aquisição de oxigênio para Manaus, que viu dezenas de pacientes de covid-19 morrerem sem ar; e lotou o Ministério da Saúde de militares sem qualquer qualificação para os cargos na área de saúde.

Queiroga chega ao cargo após a cardiologista Ludhmila Hajjar recusar o convite de Bolsonaro por não concordar com a posturas negacionista do presidente assim como pela defesa enfática que ele faz do uso da cloroquina para o tratamento de covid-19. Hajjar tinha o apoio do Centrão, grupo de centro-direita que apoia o Governo Federal, de ministros do Supremo Tribunal Federal e até de ministros de Bolsonaro. Enquanto que Queiroga tinha ao seu favor o apoio de dois filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O futuro ministro é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, fez parte da equipe de transição de Bolsonaro e havia sido indicado pelo mandatário para ocupar um cargo de diretor na Agência Nacional de Saúde Suplementar, mas ainda não fora empossado na função.

Por enquanto, a única mudança de fato é a defesa que Bolsonaro agora faz da vacinação. Antes, ele desdenhava. Conforme revelou a revista Época, ele até já cogita se vacinar, após dizer que não o faria e de duvidar da eficácia do imunizante. A aplicação da injeção no braço do presidente ainda não tem data exata para ocorrer pois ele entrará na fila da vacina de Brasília, que ainda está vacinando idosos entre 72 e 73 anos. O presidente completa 66 anos no dia 21.

 

Fonte: El País | Brasil

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