
As redações de sites e as redes sociais estão cheias de apelos de familiares e amigos de Luiz Claudio (46), gerente de uma panificadora do centro da cidade, que está internado na UPA de Sta Terezinha, há mais de 10 dias. Espera vaga em uma UTI de Salvador. Isso vem acontecendo já há algum tempo, o que está aumentando é o tempo de espera. Segunda-feira, outro paciente com Covid-19, depois de aguardar pelo mesmo espaço de tempo, conseguiu ser transferido. Claudinho,como é carinhosamente chamado,aguarda.
Thread do desespero
Segundo Luana Cris, uma amiga do rapaz, e Vivi, sua esposa, essa é a sequencia dos fatos:
05 /03 Luiz Cláudio deu entrada na UPA.
07/03 Foi solicitado a transferência para UTI, pois falaram que o caso dele era grave e a unidade não tem suporte, não tinha como fazer exames.
17/03 Ainda não conseguiu a transferência e seu caso se agrava a cada momento.
"Tentamos no Bião e em Salvador, mas não há vagas.Sei que estamos no colapso de saúde em todo o Brasil, mas o problema é que ele está em uma unidade que não tem suporte para atendimento e a cada dia agravando mais o caso dele. Já contatamos secretária de saúde, vereadores, deputados e agora estamos tentando o Ministério Público", diz ViVi, esposa de Claudio.
O problema desse rapaz é o primeiro a ganhar publicidade mas muitos outros já passaram por isso e vão continuar passando. A mãe dele, também acometida da doença, conseguiu transferência para Salvador, a irmã, como tem plano de saúde, está internada no HCA, enquanto ele espera.
E para evitar isso não há outra solução que não seja a prevenção. Precisa de uma atenção mais cuidadosa para não chegar ao momento do desespero.
O governador Rui Costa e o prefeito de Salvador Bruno Reis trabalham diuturnamente para enfrentar o problema abrindo novos leitos dentro do possível. As Obras Sociais de Irmã Dulce, responsável pela administração do Hospital de Campanha Fonte Nova, anuncia emprego para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem. E os governantes ainda têm que enfrentar manifestações alucinadas de empresários querendo abrir seus negócios a qualquer preço. Os mesmos empresários que não fizeram nenhuma manifestação pela cruel suspensão do auxilio emergencial, que jogou a população na zona da fome; pela má administração dos recursos utilizados no Pronampe - Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, mas que não chegou para quem precisava; e pela lentidão na compra das vacinas. Mas aí seria contra o governo federal...
Nadia Freire DRT 5228 /Ba
Editora do jornal e do site Sua Cidade em Revista
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