Hospitais privados como Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz se aproximam da lotação. O Hospital Israelita Albert Einstein, centro privado de referência em todo o Brasil, avalia reabrir um hospital de campanha. O Einstein registrou 200 pacientes com covid-19 no dia 11 de março, sendo que 101 se encontravam na UTI. A taxa de ocupação geral era de 104% nesse dia, segundo confirmou a assessoria ao EL PAÍS. A saída que esses centros estão encontrando é o de adiar procedimentos e abrir mais leitos. De acordo com um levantamento do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), feito entre 8 e 11 de março, 93% dos hospitais estão cancelando cirurgias eletivas.
A pesquisa também mostra que 32% já não são capazes de aumentar leitos para covid-19 e 15% só conseguem disponibilizar mais leitos clínicos. “Ter dinheiro não vai salvar ninguém. Se o sistema esgota, esgota para todo mundo. É só você ver a situação dos hospitais particulares”, alertou nesta quinta-feira Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência Covid-19, grupo de 21 especialistas que assessoram Doria. “Não adianta se apoiar [no plano de saúde], tem que entender a gravidade da pandemia e do momento que a gente está vivendo. Não dá mais para subestimar esse vírus”, acrescentou.
Parte relevante da estratégia do Estado mais rico do Brasil, com a maior rede hospitalar do país, se baseia na abertura de novos leitos. Eram 3.500 vagas de UTI no início da pandemia, e até o final de março deste ano serão 9.200. “Mas UTI é um recurso finito. E principalmente recurso humano é finito Também é um princípio falacioso o de que, ao aumentar o número de leitos, você pode liberar a transmissão do vírus. Quem vai para a UTI, metade morre”, explica o professor Carlos Magno, médico epidemiologista da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu e um dos especialistas que assessoram Doria.
Ele trabalha no Hospital das Clínicas da universidade, que atende toda a região e é referência no tratamento contra a covid-19. E vem alertando desde janeiro para risco de colapso nos hospitais do interior. “Nós estamos numa situação extremamente critica, e remando ao contrário do mundo”, argumenta. Seu hospital também apresenta 100% de ocupação de leitos e está saturado, mas ele afirma que esse número esconde situações ainda mais graves. “Pacientes graves que estariam na UTI no começo da pandemia agora estão na enfermaria. Então, essa ocupação de UTI é ainda mais forte. A mortalidade está aumentando porque só estamos internando pacientes mais graves”, explica. “Na enfermaria estão pacientes com suporte ventilatório. Tem gente que está com cilindro em casa, quando tem condições estruturais de manter cilindro. Quem não está precisando de suporte oxigênio nem interna mais”, explica.
Apesar das dificuldades, inclusive de convencer a população a se recolher em casa, Eloisa Bonfá, a diretora do HC, está esperançosa de que as novas medidas de restrição surtirão efeito. “Temos uma saturação que também é física e mental. A gente precisa ser apoiado pela população para que a gente possa continuar”, afirma. “Nós estamos trabalhando dia e noite desde março de 2020. É frustrante que as pessoas não entendam que estamos perto de uma solução, mas que precisam colaborar”.
Que a triste realidade de Manaus sirva pelo menos para alertar o resto do país.
Com informações do El País
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