
Juramento – O fim do auxílio emergencial causou impactos mais negativos nos pequenos municípios, onde, por falta de dinamismo econômico, a maioria da população depende do dinheiro enviado pelo governo federal, por meio dos programas de transferência de renda e de aposentadorias rurais.
É o caso de Juramento, no Norte de Minas, onde 1,5 mil pessoas, 34,5% da população (4.245 habitantes), receberam o benefício.
Desse total, 794 já estavam no programa Bolsa-Família, 316 foram inscritas no cadastro único do governo federal e outras 407 solicitaram o benefício por meio de um aplicativo da Caixa Econômica Federal, de acordo com os dados do Ministério da Cidadania.
Ao todo, foram liberadas nove parcelas – de R$ 600 (cinco) e R$ 300 (quatro), sendo que as mulheres chefes de família tiveram direito ao dobro dos valores.
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Cláudia Maria da Silva, dona de casa, moradora de Juramento: "Depois que acabou auxílio, ficou mais difícil pra gente. Começou até a faltar coisas dentro de casa" (Foto: LUIZ RIBEIRO/EM/D.A PRESS)[/caption]
“Não temos outra fonte de renda, pois o nosso comércio é muito pequeno”, diz a prefeita, empossada há pouco mais de um mês. “Ainda estamos fazendo um levantamento, mas sabemos que a situação financeira da prefeitura é muito difícil. Vamos atrás de recursos”, diz Marlene. No atual período, um velho problema voltou a castigar o município: a seca, que destruiu as pequenas lavouras de subsistência.
Mas, com o seu fim, além da falta de renda, moradores do município passaram a enfrentar outro drama: o aumento de contas para pagar. “Quando chegou o auxílio, muitas pessoas simples, por falta de instrução, acabaram adquirindo dívidas, com compras a prestação. Agora, estão endividadas e passando por necessidade”, relata Magalhães.
Em janeiro, com o término do socorro, voltou a ter que se virar com os R$ 269 do Bolsa-Família. Ela revela que o principal ganho que teve com o auxílio emergencial foi a condição para comprar mais comida.
“(O auxílio) foi muito bom para comprar mais alimentos. Se a gente melhora a alimentação, melhora a saúde também”, diz Sandra, que tem um filho. O companheiro dela, Marcelo, sobrevive de “bicos”. Sandra sonha em voltar a receber o benefício extra: “Deus abençoe para que o auxílio possa voltar, que aqui não tem serviço”.
ALUGUEL - Em condição semelhante, Hellen Caroline Santos Soares, de 32, relata que o dinheiro que recebeu do auxílio emergencial serviu para reforçar a nutrição dos seus quatro filhos, com idades de 17, 11, 9 e 2 anos. “Com o auxílio, tive como comprar iogurte, refrigerante, banana, melancia e outras frutas para as meninas”, diz Hellen, que não trabalha.
“O dinheiro é pouco, mas é com ele que gente tem que ir levando (a vida)”, resigna-se a mulher, cujo marido é trabalhador braçal e nem sempre encontra serviço. Hellen conta que, além de diversificar e aumentar as refeições da sua família, o dinheiro salvador do auxílio “ajudou” a pagar o aluguel da casinha de três cômodos onde mora a família, cujo valor não sabe falar – “quem cuida disso é meu marido”. Também conta que parte do dinheiro do socorro foi usada para “comprar umas roupinhas” para suas filhas.
“O auxílio ajuda a gente bastante, porque é muito difícil encontrar trabalho na cidade”, confessa a moradora, que, ao contrário de Sandra e Ellen, não é cadastrada em nenhum programa de transferência de renda do governo. “Depois que acabou o auxílio, ficou mais difícil pra gente. Começou até a faltar coisas dentro de casa”, declara Cláudia. Ela diz ainda que teme que a situação piore, pois o companheiro dela não tem emprego fixo.
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