
Falha em precisar quais profissionais de saúde deveriam ser considerados prioritários para receber a vacina contra o coronavírus na primeira fase da campanha de imunização colocou pessoas menos expostas e vulneráveis à doença à frente de grupos de maior risco. Aproveitando-se da brecha criada pela ausência de regra, profissionais que não estão na linha de frente―como, por exemplo, doulas, que auxiliam mulheres no trabalho de parto, educadores físicos, nutricionistas, recepcionistas, médicos e terapeutas― foram vacinados antes de alguns grupos de idosos, os mais vulneráveis a complicações da doença e que, por isso, registram as maiores taxas de mortalidade. A falta de critérios acabou na Justiça, e o Supremo Tribunal Federal já determinou que nos próximos dias o Ministério da Saúde estabeleça quem deve ter prioridade neste momento de escassez de doses.
Até o momento, o Governo Bolsonaro distribuiu cerca de 12 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. A quantidade é muito inferior à necessária para contemplar as 77,2 milhões de pessoas apenas dos grupos prioritários estabelecidos inicialmente pela pasta, especialmente se for considerada a necessidade de se aplicar duas doses das vacinas disponíveis. O grupo dos trabalhadores da saúde, envolvidos na campanha de vacinação e na assistência direta aos pacientes com covid-19. está entre os prioritários desde o início. A justificativa é a maior exposição ao coronavírus e a necessidade de manter o atendimento aos pacientes, reduzindo afastamentos. O Ministério da Saúde indicou em ofício aos Estados a priorização dos trabalhadores e idosos. deixando aos Estados e municípios a adequação às realidades locais.
Melissa Palmieri, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunizações-Regional São Paulo, vê decisões uma inversão de prioridades. “As vacinas atuais são muito focadas nos desfechos clínicos de gravidade e morte por covid-19. Temos que focar naqueles grupos que estão sofrendo mais na pandemia, que são os idosos e os profissionais da saúde na assistência direta, que atuam linha de frente”, aponta, ressaltando que isso deve englobar tanto o serviço público quanto o privado. A lógica é proteger essas populações e aliviar a alta pressão sobre os sistemas de saúde neste momento.
No entanto, vários municípios não estão fazendo este filtro e incluem nas listas até profissionais da saúde que atuam longe dos hospitais. Biólogos, doulas, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e pessoal de apoio em clinicas médicas e odontológicas estão entre profissionais que atuam fora da linha de frente e já receberam vacinas em algumas cidades, quando as doses ainda não chegam massivamente ao grupo mais vulnerável, dos idosos. Alagoinhas está entre elas.
Para Palmieri, uma forma de restringir bem os grupos de profissionais da saúde é vacinar os idosos e os trabalhadores que atuam na coleta de material respiratório com swab antes de partir para outras categorias que não atuam diretamente com pacientes com covid-19. “Mas para isso tem que haver uma diretriz, e ela não está clara. O que temos é cada um fazendo de um jeito”, ressalta. Neste mar de indefinições, Palmieri considera uma boa prática a decisão da cidade de São Paulo em começar a vacinar profissionais da saúde autônomos com mais de 60 anos.
Palmieri acredita que caberá aos Estados orientar os municípios. “É o momento de conversar com as cidades maiores: já vacinou todos os profissionais de hospitais, de coleta de exames e idosos? Para começar a remanejar doses para que as cidades não tenham tanta discrepância”, diz a médica. Ela defende ainda que as capitais e cidades metropolitanas sejam priorizadas neste momento, já que existe um maior risco de aglomerações em geral e consequentemente mais contágios. “Desde festas clandestinas até no transporte público. As grandes metrópoles sofrem com isso.”
Não só metrópoles sofrem com aglomeração em festas, Alagoinhas tem mega eventos todos os fins de semana e os locais só foram interditados depois de vídeo publicado em site da capital.
Fonte El País
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