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Dolores Huerta: “O voto é nossa revanche contra todos os ataques do presidente Trump”

Dolores Huerta: “O voto é nossa revanche contra todos os ataques do presidente Trump”

11/10/2020 às 17h00 Atualizada em 11/10/2020 às 20h00
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Dolores Huerta (Novo México, 1930) está travando nos últimos dias sua enésima batalha para defender os direitos dos latinos. A pandemia não impediu sua tentativa de mobilizar os eleitores para tirar Donald Trump da Casa Branca nas eleições presidenciais de 3 de novembro, a vigésima terceira desde que ela nasceu. Aos 90 anos, está otimista em relação aos jovens porque eles estão “cientes do racismo, da homofobia e contra o sexismo” e, de sua casa e da sede de sua fundação em Bakersfield, Califórnia, continua dando telefonemas e entrevistas, e organizando reuniões virtuais “para que os pobres saibam que têm poder”.

É o que vem fazendo há mais de 60 anos, desde que, na década de 1950, com pouco mais de 20 anos, decidiu participar de associações comunitárias no Vale de San Joaquin, na Califórnia, onde cresceu vendo que os camponeses trabalhavam em condições próximas da escravidão e tomou consciência da brutalidade policial contra mexicanos e afro-americanos. Em 1962, com 32 anos e sete filhos pequenos, Huerta fundou com César Chávez a Associação Nacional dos Trabalhadores do Campo. Em 1969, liderou o boicote da uva, pelo qual chegaram a um acordo com os produtores, depois que cerca de 17 milhões de norte-americanos pararam de consumir a fruta para apoiar as suas demandas.

Seu sindicato obteve benefícios na área da saúde, assistência imigratória e cooperativas para os camponeses, entre outras coisas, mas Huerta costuma dizer que o que os empregados temporários mais lhe agradecem é que os fazendeiros puseram água potável e banheiros no campo porque isso lhes dá “a dignidade que merecem pelo trabalho que fazem para alimentar” o país. A luta de Dolores Huerta não esteve isenta de golpes. Em sua trajetória soma uma vintena de prisões por desobediência civil e greves e, em 1988, durante uma manifestação, uma investida policial a deixou em convalescença por meses, com três costelas quebradas e uma operação em que tiveram que remover seu baço. A recuperação serviu para que passasse mais tempo com seus 11 filhos, que às vezes deixava de lado para o ativismo, atitude que lhe rendia uma enxurrada de críticas. “Sempre levava meus filhos para reuniões, passeatas, protestos. E se saíram muito bem”, se orgulha, ao citar que entre eles há um médico, uma advogada, um chef, uma enfermeira, uma professora e uma que dirige uma instituição de ajuda a mulheres.

Além do meio rural e das ruas, onde nos anos 60 abraçou a causa feminista, a luta da líder dos direitos civis também se deu nos gabinetes das assembleias estaduais e em Washington, onde fez lobby pela aprovação de leis que beneficiassem imigrantes e camponeses, como a anistia de imigração de 1986.

Pertencente à quinta geração de uma família dos EUA de origem mexicana, em suas conversas e entrevistas Huerta costuma recomendar a consulta a um mapa dos Estados Unidos anterior à guerra de 1848 para que vejam que sua família, como a de milhões de chicanos, não cruzou a fronteira, mas, sim, que a fronteira cruzou sobre eles. "Quando nos dizem que devemos voltar para o lugar de onde viemos, eu digo: ‘Estamos aqui, de onde viemos.’ A mãe do Sim, Nós Podemos, a frase que décadas depois se tornaria o slogan da campanha de Barack Obama, mantém o legado mexicano com seu espanhol, suas blusas coloridas e suas referências à Virgem de Guadalupe e Benito Juárez, cuja frase “o respeito pelos direitos dos outros é a paz” ela cita para defender o direito ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Dolores Huerta responde a EL PAÍS em entrevista em espanhol por meio do Zoom, no canto de sua casa reservado para as videochamadas, de onde em maio comemorou 90 anos, com um mês de atraso, em uma festa virtual pela qual passaram atores como Salma Hayek, Alec Baldwin, Rosario Dawson e Danny Glover, músicos como Alicia Keys e Carlos Santana e políticos democratas como a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, Bill e Hillary Clinton e a dupla que representará o Partido Democrata em 3 de novembro, Joe Biden e Kamala Harris, a quem a líder dos direitos civis deu seu apoio.

Fonte: El País

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