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Magazine Luiza ter apenas 16% de líderes negros é inaceitável, diz Frederico Trajano

Magazine Luiza ter apenas 16% de líderes negros é inaceitável, diz Frederico Trajano

21/09/2020 às 15h13 Atualizada em 21/09/2020 às 18h13
Por: Redação
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Presidente da Magazine Luiza: Frederico Trajano
Presidente da Magazine Luiza: Frederico Trajano

“Somos responsáveis por quem selecionamos e promovemos (...) Claramente, se temos 53% da equipe negra e parda e só 16% de negros e pardos em cargos de liderança, há um problema para resolver com uma ação concreta”, disse Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza.

O presidente do Magazine Luiza saiu em defesa do processo seletivo para trainees que tem provocado polêmica nas redes e nos setores da extrema-direita brasileira. Ele destacou que a ação é necessária para reequilibrar as posições de comando da varejista.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Trajano destacou os pontos principais da nova concepção de contratação da empresa:

“Fizemos uma pesquisa interna. Eu não sabia, mas 53% da nossa equipe é formada por negros e pardos. Na mesma pesquisa, vimos que apenas 16% dos nosso líderes eram negros e pardos. Isso acendeu um sinal amarelo ou vermelho. Nunca nos posicionamos em relação à pauta racial porque não havia um diagnóstico claro dessa questão. A partir da pesquisa, vimos que tínhamos uma anomalia, um problema concreto. Somos muito pragmáticos. O caminho mais curto para se chegar à liderança é o programa de trainee. Porém, nos programas anteriores – e eu sempre entrevisto os finalistas –, a gente sempre tinha só uma pessoa negra ou parda no final. Então, de certa maneira, não estávamos conseguindo atrair e selecionar essas pessoas. Precisávamos fazer algo diferente. Não é oportunismo. Queremos resolver um problema que sabemos que temos. Estamos sendo honestos em relação à necessidade de mudar uma realidade que nós mesmos criamos. Somos responsáveis por quem selecionamos e promovemos.”

O presidente da empresa ainda destacou:

“Sabíamos que essa nossa ação afirmativa iria desencadear discussões. A iniciativa é inédita e somos uma empresa grande, com uma marca de muita visibilidade. Por intermédio da Lu, nossa influenciadora virtual, nos manifestamos nas redes, de forma contundente, sobre a legalidade do programa e a nossa intenção ao levá-lo adiante: atacar a baixa representatividade negra em nossa liderança. É inaceitável que apenas 16% dela seja composta por negros. Ao longo dos anos (15 no total), a companhia formou cerca de 250 trainees. Só 10 deles eram negros. Em todos os programas, houve enorme dificuldade de atrair talentos negros. O número de candidatos sempre foi baixíssimo. Por isso, a decisão de criar um programa exclusivo. Essa dificuldade de acesso tem sido um problema para uma companhia que acredita que a diversidade aumenta a competitividade, e queremos resolvê-lo.”

 

Fonte: Brasil 247

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