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Suspeita de interferência política de Bolsonaro na PF se agrava com apreensão de celular e computador de Witzel

Suspeita de interferência política de Bolsonaro na PF se agrava com apreensão de celular e computador de Witzel

27/05/2020 às 09h24 Atualizada em 27/05/2020 às 12h24
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Em matéria publicada hoje (26) no El País, Felipe Betim explica ação da PF contra Witzel e suas implicações . Leia trechos abaixo:

Entre os alvos dos agentes da Polícia Federal (PF) está o atual governador do Estado, Wilson Witzel (PSC), investigado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por participar de suposto esquema de desvios de recursos destinados à Secretária da Saúde, mais especificamente na contratação de uma Organização Social (OS) para a instalação de hospitais de campanha que devem receber pacientes com suspeitas de coronavírus. Witzel, que viu seu celular e computador serem apreendidos a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), nega qualquer envolvimento no esquema.

A investigação aberta em 13 de maio, feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em conjunto com a promotoria estadual, mira um contrato emergencial assinado entre o Governo Witzel e a OS Iabas no valor de 835 milhões de reais para construir e gerir sete hospitais de campanha. No pedido de busca e apreensão, o MPF afirma que há “provável envolvimento da cúpula do Poder Executivo fluminense”. A ação foi autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves e mirou 12 endereços, entre eles o Palácio Laranjeiras, usado como residência oficial do governador, o Palácio Guanabara, de onde o Witzel despacha, a antiga residência do governador no bairro do Grajaú e o escritório de advocacia de sua esposa, Helena Witzel.

A operação faz parte de uma investigação que, no início do mês, prendeu o ex-subsecretário da Saúde do Rio, Gabriell Neves, e mais três pessoas por suspeita de obter vantagens ao realizar uma compra emergencial de respiradores. O caso, revelado na época pelo jornalista Rubens Berta, destampou as suspeitas de fraude em contratos sem licitação que somam 1 bilhão de reais para combater o coronavírus. O maior deles é o de 835 milhões com a OS Iabas. O juiz Marcelo Bretas, coordenador da Lava Jato fluminense, autorizou a prisão no dia 14 de maio do empresário Mário Peixoto, que comanda o grupo. Em meio às denúncias de fraude, Witzel demitiu dias depois o então secretário da Saúde Edmar Santos.

Os elementos colhidos pelos investigadores federais e estaduais foram então encaminhados à PGR, e as apurações passaram a atingir diretamente o governador. Um contrato de 540.000 reais achado no escritório da primeira-dama do Rio com a empresa investigada seria um dos indícios de que o governador teria se beneficiado do esquema, segundo informou a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo. O valor deveria ser pago em 36 parcelas de 15.000. Witzel nega irregularidades e acusa o presidente Bolsonaro de perseguição política.

Possível interferência política na PF

Um dia antes da operação contra Witzel, a deputada bolsonarista Carla Zambelli afirmou em uma entrevista que haveria operações policiais contra governadores. A parlamentar é esposa de um agente da Força Nacional, subordinada, assim como a PF, ao Ministério da Justiça. A Federação Nacional de Policiais Federais defendeu nesta terça que o vazamento seja investigado, devido ao "conhecido e notório” vínculo de Zambelli com delegados. Ela negou ter sido avisada da operação desta terça. “Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento”, afirmou Witzel em nota.

Nesta terça, Bolsonaro parabenizou a PF pela ação. A superintendência da PF no Rio está no centro do desentendimento do presidente com o então ministro da Justiça Sergio Moro, que deixou o cargo acusando o chefe de querer interferir no comando da corporação. As acusações de Moro levaram à abertura de um inquérito no STF à pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. Após a saída de Moro, o presidente exonerou o diretor da PF e, no mesmo dia, trocou a superintendência do Rio. No vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro também deu a entender que queria interferir na corporação para evitar que familiares e amigos fossem atingidos por investigações. Também especula-se que o presidente tem a intenção de usar a corporação contra adversários políticos, algo que ele nega.

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