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Morre cantor e compositor Moraes Moreira aos 72 anos

Morre cantor e compositor Moraes Moreira aos 72 anos

13/04/2020 às 12h17 Atualizada em 13/04/2020 às 15h17
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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O cantor e compositor Moraes Moreira, de 72 anos, morreu, na manhã desta segunda-feira, 13, em sua casa no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. De acordo com a família do artista, ainda não se sabe a causa da morte.

Moraes, um dos mais importantes artistas da música brasileira, autor de "Sintonia" e "Pombo Correio", nasceu Antônio Carlos Moreira Pires na cidade baiana de Ituaçu. Moraes começou a carreira tocando sanfona em festas de São João. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto estudava em Caculé. Depois, mudou-se para Salvador e conheceu Tom Zé. Formou, ao lado de Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão o grupo Novos Baianos, entre os anos de 1969 e 1975.

Moraes Moreira deixa uma história de muitos sucessos e atuação importante no Carnaval de Salvador, onde é considerado o primeiro cantor de trio-elétrico. Há alguns dias, o artista publicou, em seu perfil no Instagram, um cordel inspirado na pandemia do novo coronavírus e na quarentena.

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o Coronavírus

E zelo por minha vida

Mas tenho medo de tiros

Também de bala perdida,

A nossa fé é vacina

O professor que me ensina

Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia

Que agora domina o mundo

Mas tenho uma garantia

Não sou nenhum vagabundo,

Porque todo cidadão

Merece mais atenção

O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga

Que não é mais do Egito

Não quero que ela traga

O mal que sempre eu evito,

Os males não são eternos

Pois os recursos modernos

Estão aí, acredito

De quem será esse lucro

Ou mesmo a teoria?

Detesto falar de estrupo

Eu gosto é de poesia,

Mas creio na consciência

E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso

Que seja em qualquer sentido

Mas também do retrocesso

Que por aí escondido,

As vezes é o que notamos

Passar o que já passamos

Jamais será esquecido

Até aceito a polícia

Mas quando muda de letra

E se transforma em milícia

Odeio essa mutreta,

Pra combater o que alarma

Só tenho mesmo uma arma

Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo....

Estão na ordem do dia

Eu digo não ao machismo

Também a misoginia,

Tem outros que eu não aceito

É o tal do preconceito

E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas

Mas prevalecem os relés

Queremos sim ter respostas

Sobre as nossas Marielles,

Em meio a um mundo efêmero

Não é só questão de gênero

Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano

E sua dignidade

Vivemos num mundo insano

Queremos mais liberdade,

Pra que tudo isso mude

Certeza, ninguém se ilude

Não tem tempo,nem idade.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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