
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou nesta segunda-feira (23) que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenhou papel fundamental na preservação da democracia brasileira diante de ameaças institucionais. Ele ressaltou, contudo, que a Corte, como qualquer outra instituição, não está isenta de críticas ou questionamentos.
A declaração foi concedida durante entrevista ao programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, em um contexto marcado por controvérsias envolvendo ministros do tribunal e o Banco Master.
Segundo Boulos, a atuação do STF foi determinante para impedir retrocessos institucionais. “O Supremo Tribunal Federal foi importante para o Brasil para preservar a democracia contra quem queria dar golpe de Estado”, afirmou. Ele ponderou, entretanto, que a relevância institucional da Corte não a coloca “acima do bem e do mal”.
O posicionamento do ministro ocorre em meio a investigações relacionadas ao Banco Master, que é alvo de apurações por suspeitas de irregularidades financeiras. Reportagens recentes apontaram possíveis conexões entre a instituição e integrantes do Supremo.
Um dos nomes citados é o do ministro Dias Toffoli. De acordo com informações divulgadas a partir de análises da Polícia Federal, mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do banco, mencionariam supostos pagamentos cifrados ao magistrado.
Também vieram a público dados sobre um fundo ligado ao Master que teria destinado mais de R$ 4 milhões a um resort anteriormente pertencente a familiares de Toffoli. À época dos fatos, o ministro atuava como relator de processos relacionados à instituição financeira no STF. Após a divulgação das mensagens, a relatoria foi redistribuída ao ministro André Mendonça.
Outro integrante do Supremo mencionado nas reportagens é Alexandre de Moraes. Em dezembro, o jornal O Globo noticiou a existência de um contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Ainda segundo a publicação, Moraes teria procurado o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões para tratar de assuntos relacionados à instituição financeira.
As investigações seguem em andamento, e os desdobramentos do caso continuam a repercutir no meio político e jurídico, ampliando o debate sobre transparência e responsabilidade institucional no país.
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