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Deputado do PSL quebra placa de exposição na Câmara que associa polícia a genocídio de negros

Deputado do PSL quebra placa de exposição na Câmara que associa polícia a genocídio de negros

20/11/2019 às 11h15 Atualizada em 20/11/2019 às 14h15
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Placa quebrada por Coronel Tadeu (PSL-SP) exibia o desenho de um policial com revólver na mão e um jovem caído no chão com o título 'O genocídio da população negra'.

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) quebrou nesta terça-feira (19) a placa de uma exposição da Câmara que exibia o desenho de um policial com revólver na mão e um jovem caído no chão com o título "O genocídio da população negra".

A exposição foi aberta nesta terça para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.

Tadeu afirmou que fez o seu "protesto em cima do protesto deles" por considerar a imagem um "crime contra as instituições". “Eu fiz o meu protesto em cima do protesto deles”, disse.

A mostra, que terá duração de um mês, está montada no túnel que liga o plenário principal da Câmara ao anexo das comissões e que é um espaço tradicionalmente usado para exposições.

Intitulada “(Re)existir no Brasil: Trajetórias Negras Brasileiras”, a mostra traça um breve panorama da resistência dos negros na história do país, incluindo suas contribuições e conquistas.

Um trecho do texto que constava da placa dizia que "os negros são as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do Brasil".

Parlamentares de oposição repudiaram o ato deputado Coronel Tadeu, deixaram o plenário em protesto e anunciaram que pretendem acionar o Conselho de Ética da Câmara.

O episódio também gerou outras reações no plenário, onde deputados se alternaram fazendo discursos em protesto contra o ato de Tadeu ou com críticas à exposição, por associar a polícia à morte de jovens negros.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) condenou a atitude do deputado e classificou o episódio como "grave". “Numa democracia, num país livre, não é porque nós divergimos da posição da outra pessoa que nós devemos agredi-la verbalmente, fisicamente”, afirmou.

O deputado Helder Salomão (PT-ES), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, repudiou o ato. "Quero repudiar, com veemência, a postura adotada pelo Deputado Coronel Tadeu, do PSL, agredindo e rasgando um cartaz da exposição sobre a consciência negra", afirmou. "Esse caso deve ser levado ao Conselho de Ética, porque racismo é crime".

Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), o ato do parlamentar "é realmente muito grave". Ele defendeu que ele responda pela atitude no Conselho de Ética. "Este deputado tem que ir à Comissão de Ética e deve ser cassado porque isso é crime de racismo e depredação do patrimônio público", afirmou.

Presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) fez um discurso inflamado da tribuna e disse que o cartaz "insultava" a Polícia Militar e ajudava a "difamar e denegrir as instituições do Brasil".

"Essa placa nunca deveria ter sido colocada ali, jamais. E, assim que tive conhecimento, como presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, a bancada da bala, mandei ofício para o Rodrigo Maia para que retirasse de imediato essa placa", disse.

Segundo ele, a PM tem muitos policiais negros, o que comprovaria que não existe racismo na corporação. "Nós não somos racistas, nunca fomos", afirmou.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) se disse "chocado". "Presidente, quando um deputado federal vandalizou a exposição feita em memória à luta do povo negro no Brasil? É inaceitável, é desonroso para esta Casa que um Deputado Federal não tenha tolerância, não respeite a história dos negros no Brasil, não perceba a gravidade do genocídio praticado nessa sociedade contra a juventude negra e pobre da periferia do Brasil", disse.

Deputado argumenta - Para o deputado Coronel Tadeu, a imagem é "extremamente ofensiva". “Aqui está claro: com braçal, com uma boina, cabelinho curto, está claro, até uma criança consegue definir que essa imagem é um policial”, argumentou.

E acrescentou: “A pessoa algemada, com uma camisa do Brasil, dando a entender que um cara foi morto, foi executado. Isso aqui é um crime contra as instituições. Eu não posso aceitar. Eu simplesmente tirei aquela placa da exposição. As outras estão todas lá. Mas essa daqui é ofensiva, extremamente ofensiva. E eu não posso, como policial, deixar passar batido”.

O deputado afirmou que a imagem é um “atentado com quem está preservando vidas”. “É um atentado com quem está preservando vidas. Então, meu protesto está feito. Eu fiz um protesto, legítimo”.

Para Coronel Tadeu, é preciso ter limites. “Todo protesto é válido. Agora sem ofender as instituições. A gente precisa colocar limites nas coisas”, declarou.

O parlamentar afirmou que há espaço para diálogo com deputados de oposição, a fim de que uma nova placa seja colocada no lugar, mas não com a imagem. “Aquilo não dá para permitir numa Casa. Eu discordo”.

Fonte: G1

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