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Juro real no Brasil atinge maior nível em 20 anos com Selic a 15%

Manutenção da taxa básica eleva juros reais para cerca de 10,6%, patamar não visto desde 2006, em meio a desaceleração da inflação esperada

29/01/2026 às 08h00
Por: Redação Fonte: Brasil247
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Prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano mantém os juros reais da economia brasileira em torno de 10,6%, considerando as expectativas de inflação para os próximos 12 meses. Esse é o nível mais elevado registrado desde maio de 2006, quando a taxa real alcançou 10,7%, marcando um retorno a patamares que ficaram fora da realidade econômica do país por quase duas décadas, segundo cálculos de mercado relatados pela Folha de São Paulo.

Após permanecerem abaixo de 10% por cerca de 20 anos, os juros reais voltaram a ultrapassar esse limite em julho do ano passado, quando a Selic atingiu o atual patamar de 15%. Desde então, a queda nas projeções de inflação — cuja mediana é de 4% em 2026, conforme o último boletim Focus — contribuiu para a elevação da taxa real. Em 2006, cenário frequentemente comparado ao atual, a Selic estava em 15,25% ao ano, com expectativa de inflação de 4,1%.

 

A decisão de manter os juros básicos foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) pela quinta reunião consecutiva, com voto unânime de seus integrantes. Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Bernardo Carvalho, o atual nível dos juros reais é atípico para os padrões recentes da economia brasileira. “No passado, o patamar alto da taxa real era em torno de 7%, e o patamar de 10% não é comum para os últimos anos da economia brasileira”, afirma.

Juros altos freiam a economia e ampliam ganhos de rentistas

A permanência de juros reais em níveis tão elevados produz efeitos negativos sobre a atividade econômica. O encarecimento do crédito dificulta o acesso de empresas a financiamentos, desestimula novos investimentos e compromete planos de expansão produtiva, com reflexos diretos sobre a geração de empregos e a renda. Para as famílias, taxas mais altas reduzem o consumo, elevam o custo das dívidas e pressionam o orçamento doméstico, contribuindo para um ambiente de crescimento mais lento.

No setor público, juros elevados aumentam o custo do serviço da dívida, restringindo o espaço fiscal para políticas de investimento e gasto social. Em sentido oposto, esse cenário beneficia sobretudo os rentistas, grupo que concentra aplicações financeiras e passa a obter rendimentos elevados e com baixo risco em ativos indexados à taxa básica de juros, como os títulos da dívida pública. Esse mecanismo intensifica a transferência de recursos da economia real para o sistema financeiro, reforçando a concentração de renda e aprofundando distorções históricas do modelo econômico brasileiro.

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