
A Associação Chinesa de Futebol (ACF) anunciou nesta quinta-feira uma das mais duras ações disciplinares já registradas no esporte do país: 73 pessoas foram banidas vitaliciamente por envolvimento em corrupção e manipulação de resultados. A lista inclui Li Tie, ex-treinador da seleção chinesa, além de dirigentes e agentes ligados ao futebol profissional.
A medida também alcançou clubes da elite. Segundo a entidade, 11 dos 16 times que disputaram a temporada 2025 da Superliga Chinesa sofrerão punições esportivas e financeiras, com perda de pontos e multas que já impactam a largada do campeonato de 2026, previsto para março.
O endurecimento das sanções ocorre no contexto de uma campanha anticorrupção intensificada na China nos últimos anos. O movimento, associado à agenda do governo do presidente Xi Jinping, ampliou investigações que expuseram fragilidades estruturais e questionamentos sobre a integridade das competições nacionais.
Em comunicado, a ACF informou que as punições decorrem de uma revisão ampla e sistemática e foram adotadas para reforçar a disciplina interna e proteger a lisura esportiva. A entidade, no entanto, não detalhou o período exato em que as irregularidades teriam ocorrido nem descreveu publicamente o mecanismo completo dos esquemas identificados.
Um dos nomes de maior repercussão é Li Tie, que comandou a seleção chinesa entre 2019 e 2021 e teve carreira como jogador no Everton e no Sheffield United. Em 2024, ele foi condenado a 20 anos de prisão por suborno e, com a nova decisão, fica impedido de exercer qualquer função no futebol pelo resto da vida.
Outro caso de destaque citado no contexto das punições envolve Chen Xuyuan, ex-presidente da própria ACF, que cumpre prisão perpétua após condenação relacionada ao recebimento de propinas estimadas em cerca de US$ 11 milhões, em um episódio visto como símbolo da crise institucional enfrentada pela modalidade no país.
No âmbito dos clubes, as sanções atingem equipes tradicionais e com grande presença na elite. Tianjin Jinmen Tiger e Shanghai Shenhua (vice-campeão nacional) terão as penalidades mais pesadas: iniciarão a temporada de 2026 com menos 10 pontos e pagarão 1 milhão de yuans (aproximadamente US$ 144 mil) em multa.
Já o Shanghai Port, vencedor das três últimas edições da liga, sofrerá perda de cinco pontos e multa de 400 mil yuans (cerca de US$ 58 mil). A mesma punição foi aplicada ao Beijing Guoan, outro clube tradicional do futebol chinês.
Com a ofensiva, as autoridades esportivas buscam conter práticas ilegais, recuperar a confiança do público e restabelecer a credibilidade das competições nacionais, após anos de denúncias e investigações envolvendo a elite do futebol no país.
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