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Brasil perderá R$ 1,6 trilhão com leilão do pré-sal

Brasil perderá R$ 1,6 trilhão com leilão do pré-sal

06/11/2019 às 14h33 Atualizada em 06/11/2019 às 17h33
Por: Redação
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Petróleo: recuperação dos preços com expectativa de recuperação da atividade econômica (Nick Oxford/Reuters)
Petróleo: recuperação dos preços com expectativa de recuperação da atividade econômica (Nick Oxford/Reuters)

O leilão de campos do pré-sal da chamada Cessão Onerosa, programado para esta quarta-feira, provocará uma perda de US$ 300 bilhões à União, calculam os ex-diretores da Petrobras Guilherme Estrella e Ildo Sauer.

Em Nota Técnica escrita para o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, os dois especialistas – Estrella comandou a área de Exploração e Produção no período que culminou com a descoberta do pré-sal – estimam que em uma hipótese mais favorável a quem levar a concessão, e mais danosa à União, as perdas podem ultrapassar os US$ 400 bilhões, mais de R$ 1,6 trilhão em 30 anos.

Os R$ 106 bilhões que o governo espera arrecadar com o megaleilão do pré-sal mal dão para cobrir 25% do pagamento de juros da dívida este ano, ou o déficit nas contas da União provocado pelo baixo crescimento da economia. A única empresa nacional com porte para participar do leilão é a Petrobras.

“Para o cenário mais provável, de volume máximo dos campos (15,2 bilhões de barris) e preço do petróleo de US$ 60 por barril, a perda da União seria da ordem de US$ 300 bilhões ao longo dos 30 anos da operação dos campos, sendo que a maior parte destes recursos são gerados nos anos iniciais do desenvolvimento da produção”, calculam Sauer e Estrella.

A alternativa, melhor financeiramente e economicamente para o país, seria a contratação direta da Petrobras, como permite a lei.

“Nenhum dos países detentores de grandes reservas, com potencial impacto na geopolítica do petróleo, quando os recursos naturais pertencem ao Estado, como no Brasil, promovem leilões deste tipo; ou exploram os recursos mediante empresa 100% estatal, ou outorgam contratos de prestação de serviços, quando necessário, como os propostos aqui em contraposição ao leilão”, explicam no estudo.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas acrescentam que, diferentemente de outros leilões, essas áreas são ainda mais vantajosas porque as petroleiras não precisarão investir para achar o petróleo, que já foi descoberto pela Petrobras.

“As multinacionais vão receber de graça todo o investimento feito por nós. É só extrair o petróleo. Essa é a grande diferença dos demais leilões do pré-sal. Quem comprar sabe que ali tem petróleo”, denuncia José Maria Rangel, coordenador-geral da FUP.

Fonte: DCM - Diário do Centro do Mundo

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