
A Polícia Federal investiga as causas e consequências do vazamento de óleo da estação de tratamento de despejos industriais da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) que atingiu um córrego no Complexo de Suape, em Ipojuca, no Grande Recife. Em comunicado nesta quarta (28), a Petrobras informou que o produto vazado está contido na área interna da refinaria e que o trabalho de retirada continua.
Peritos criminais da PF estiveram na refinaria e a expectativa é de que a elaboração do parecer sobre a extensão do possível dano ambiental e as causas demore aproximadamente 30 dias, informou a corporação nesta quarta (28). Caso seja constatado crime ambiental, um inquérito policial vai ser aberto para indicar os responsáveis.
Segundo a Agência Estadual do Meio Ambiente (CPRH), três metros cúbicos de óleo e dois metros cúbicos de água vazaram da refinaria ao todo. O trabalho de recolhimento do material vazado continua.
“Nossa maior preocupação hoje [quarta, 28] é com a chuva que pode cair na região e pode fazer esse material [contido] ser carreado [espalhado]. Estamos em contato com a Rnest para colocação de novas barreiras", diz o diretor de controle de fontes poluidoras da CPRH, Eduardo Elvino.
Segundo o oceanógrafo e professor da Universidade de Pernambuco (UPE) Clemente Coelho Júnior, o vazamento de óleo pode causar danos ao ecossistema local.
"O óleo, quando chega no manguezal, ele se espalha pelas marés, durante as marés enchentes, recobrindo as raízes e troncos das árvores de mangue, sufocando as raízes respiratórias e causando impacto agudo sobre a floresta e fauna associada", afirma Clemente.
Segundo o diretor da CPRH, a refinaria vem executando os procedimentos necessários para lidar com o vazamento, entre eles o aumento da frota de caminhões para sucção e colocação das barreiras.
O vazamento foi detectado na segunda-feira (26) e controlado no mesmo dia, segundo a Petrobras. Elvino explica que o recolhimento de todo o óleo deve levar uma semana, enquanto a limpeza da área de mangue e restinga atingida exige mais tempo.
“Dependendo da condição climática da região, em cerca de uma semana, a gente consegue retirar a massa mais densa [que está na refinaria]. Mas o material que está sujando as raízes e também o solo, pode levar mais de 30 dias, por precisar de um tratamento mais refinado”, explica.
A Rnest pode ser multada devido ao vazamento, explica ainda o diretor. "De acordo com a lei de crimes ambientais, como o óleo pegou em vários ambientes, ele vão responder. Pegou no córrego, na terra, na mata. Vamos avaliar isso e emitir um auto de infração e possível multa. Essa multa não exclui reparo ambiental", detalha.
Segundo o Elvino, uma sala de crise foi montada na refinaria, em Suape, e a agência estadual acompanha de perto as ações de contenção e limpeza.
"Não houve contaminação de manguezal, mas alguns pés de mangue tiveram contato com óleo. [...] Estamos fazendo um trabalho de refino dessa limpeza. A ideia deixar a área o mais próximo do ambiente natural dela. Todo custo é da Rnest, a gente vai acompanhar", diz o diretor.
Vazamento - A Petrobras informou que o vazamento ocorreu na estação de tratamento de despejos industriais da Rnest e que, assim que o vazamento foi identificado, equipes de segurança e emergência foram imediatamente acionadas para contenção e reparação da região atingida. O vazamento foi controlado na noite da segunda, segundo a Petrobras.
Por causa do vazamento, dois trechos da via expressa que corta o Complexo Industrial e Portuário de Suape foram interditados para que o serviço de sucção do material fosse realizado. Equipes de Suape e da CPRH acompanham os trabalhos.
Por meio de nota, a Petrobras informou que comunicou a ocorrência às autoridades e que as causas do vazamento estão sendo apuradas, mas que a Rnest opera normalmente. O tipo de óleo que vazou não foi informado, mas, segundo o Complexo de Suape, o material não é inflamável.
Fonte: G1
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