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Níveis ideais de colesterol no sangue variam de acordo com grau de risco do paciente para doenças cardiovasculares

Níveis ideais de colesterol no sangue variam de acordo com grau de risco do paciente para doenças cardiovasculares

21/07/2019 às 22h23 Atualizada em 22/07/2019 às 01h23
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Enxergado muitas vezes como “vilão” e abolido das dietas extremistas, o colesterol é essencial para o nosso organismo, pois ele atua como componente de todas as membranas das nossas células. “A parede dessas unidades estruturais é formada por proteína e colesterol. Esse tipo de gordura deixa a parede da célula mais fluida para permitir entrada de nutrientes e saída de excretos”, explica o cardiologista Rafael Munerato.

O colesterol passa a ser problema quando ele se encontra em nível elevado, e pode ser um componente fatal para indivíduos com alta propensão a ter um infarto, ou seja, os tabagistas, sedentários, hipertensos e pessoas com mais de 50 anos de idade. Nesses casos, a gordura em excesso pode ser prejudicial, pois ela é fator de risco para a formação de placas que podem “entupir” as artérias. “É importante saber que existem dois tipos de colesterol, o bom (HDL) e o ruim (LDL). O primeiro age ‘desentupindo’ os vasos. Já o segundo faz o oposto, pois com o passar do tempo ele acaba grudando nas paredes das artérias, o que pode no futuro causar uma obstrução”, completa Munerato.

Para se ter uma ideia, nosso corpo produz no fígado cerca de 70% do colesterol. O restante é adquirido por meio da alimentação. “Ou seja, quando o paciente faz uma dieta, ele só consegue reduzir de forma limitada o nível de colesterol”, explica o médico. Dessa maneira, se um paciente for de alto risco, mesmo que se comprometa a fazer uma mudança drástica de hábitos, como largar o cigarro, fazer atividade física diária e comer alimentos mais saudáveis, ele vai precisar de medicamentos, as chamadas estatinas.

Mas no caso de um paciente de 30 anos com colesterol alto e sem fatores de risco importantes para doenças cardíacas, como pressão alta ou sobrepeso, somente uma mudança no estilo de vida pode dar conta. “Entramos com medicamento somente nos casos em que o risco de ter um infarto é alto.”

Como o colesterol elevado é silencioso (dificilmente causa sintomas), a recomendação é que o indivíduo a partir dos 35 anos faça exames laboratoriais anualmente. “É preciso fazer, pelo menos uma vez por ano, exames de sangue para acompanhar as taxas de colesterol. Com isso, o médico consegue analisar os resultados junto com outras informações clínicas que definem se um paciente é de baixo, médio ou alto risco para doenças cardiovasculares”, conclui Munerato.

VALORES IDEAIS (EM MG/DL)

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) não diferenciam os valores ideais de colesterol total, HDL e triglicérides entre pessoas de baixo, médio ou alto risco:

  • Colesterol total: Abaixo de 190;
  • HDL: Acima de 40;
  • Triglicérides: Abaixo de 150.

Já os valores máximos de LDL são separados dependendo do grau de risco do paciente:

  • Risco baixo: Abaixo de 130;
  • Risco intermediário: Abaixo de 100;
  • Risco alto: Abaixo de 70.

Colesterol em 5 perguntas | Maria Teresa Zanella - Muita gente sabe que colesterol alto faz mal, mas geralmente há dificuldades para baixar os nível. Entenda o colesterol em 5 perguntas.

O colesterol é produzido pelo nosso organismo e adquirido por meio da alimentação. Seu excesso é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares como o infarto. A dra. Maria Teresa Zanella, professora de endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tira dúvidas sobre o assunto.

O COLESTEROL ESTÁ PRESENTE NOS ALIMENTOS? - O colesterol é um composto químico que está presente no nosso organismo e de muitos outros animais; ele é produzido pelo fígado e faz parte de muitas de nossas células, além de ser importante para a produção de alguns hormônios. Como está presente em outros animais, produtos derivados destes organismos, possuem colesterol. Como carne, leite, ovos e derivado. O problema disso é que o colesterol em excesso participa do processo conhecido como aterosclerose (o colesterol se deposita na parede das artérias, prejudicando a ação do sangue).

O QUE A PESSOA COM COLESTEROL ALTO SENTE? - O aumento do colesterol no sangue é assintomático durante muitos anos, é uma doença silenciosa. À medida que o processo progride, que o excesso de colesterol se deposita na parede das artérias, é que começam a aparecer alguns dos sintomas. As artérias coronárias quando começam a ser afetadas pela aterosclerose é o que chamamos de isquemia (falta de sangue em determinados locais do coração)  e isso causa dor, principalmente durante os esforços (conhecemos como angina)

QUALQUER PESSOA PODE TER COLESTEROL ALTO? - O aumento dos níveis de colesterol no sangue pode ocorrer em qualquer pessoa, mas existe uma predisposição genética para a elevação dos níveis – algumas pessoas produzem mais colesterol que outras, principalmente aqueles que fumam (o tabagismo associado a níveis altos de colesterol faz com que o processo de aterosclerose se acelere).

O QUE É CONSIDERADO COLESTEROL ALTO? - Os níveis são considerados altos quando o colesterol total encontra-se acima de 200mg/dl , no geral. Existe o que conhecemos como colesterol bom e colesterol ruim, então o indivíduo pode ter o nível de colesterol aumentado mas se isso estiver ocorrendo às custas do chamado “colesterol bom“ ou seja, ligado a HDL. não é problemático (é até bom). Por outro lado, se as elevações dos níveis ocorrerem às custas do colesterol ligado a LDL é muito ruim. A única maneira de diagnosticar é fazendo a dosagem, por meio da coleta de sangue, dos colesteróis totais e destas frações.

COMO FUNCIONAM OS MEDICAMENTOS PARA COLESTEROL? A redução do peso reduz os níveis de triglicérides e aumentam os níveis do HDL-colesterol, o que é muito desejável. A atividade física também eleva os níveis de HDL. Quando existe excesso do LDL devemos diminuir da dieta alimentos ricos em colesterol. Além disso, os remédios que mais se utilizam são as estatinas, que diminuem a produção de colesterol no fígado. Há, também, um novo medicamento que facilita a metabolização das LDL (ou seja, sua quebra) pelo fígado.

 

Este conteúdo faz parte de uma parceria entre o Portal Drauzio Varella e o Grupo DPSP.

Fonte: Revista Super Interessante

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