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Bolsonaro e filho espalham notícia falsa sobre Jean Wyllys e David Miranda

Bolsonaro e filho espalham notícia falsa sobre Jean Wyllys e David Miranda

20/06/2019 às 15h32 Atualizada em 20/06/2019 às 18h32
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Menos de 24 horas depois de o apresentador Ratinho, do SBT, ter reproduzido uma fake news em seu programa, enquanto entrevistava o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), voltaram a insinuar que o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) teria aberto mão do seu mandato por dinheiro, para que desta forma David Miranda (PSOL-RJ) pudesse assumir a vaga na Câmara Federal.

O boato ganhou força no último domingo após ter sido compartilhado nas redes sociais por meio de um perfil chamado Pavão Misterioso, que foi criado e apagado no mesmo dia. No entanto, não há nenhuma evidência de veracidade nas informações e os envolvidos negam as suspeitas.

O parlamentar era o primeiro suplente do partido e assumiu a vaga depois de Wyllys ter aberto mão do mandato por ameaças de morte devido à sua militância política. Atualmente, ele mora na Europa. Ontem, em agenda realizada em São Paulo, Bolsonaro falou sobre o boato que circula nas redes sociais quando questionado sobre a manutenção de Moro no cargo, em meio aos vazamentos.

O presidente ainda chamou Wyllys, que é gay assumido, de "menina". "Não vi nada de anormal [nas trocas de mensagens entre Moro e procuradores]. Aquele casal [Greenwald e Miranda], um deles tem suspeita de vender o mandato, e a outra, a menina [se referindo a Jean Wyllys], está fora do Brasil. Podem procurar outro alvo. Este já era. Atacam para tentar me atingir. Podem procurar outro alvo. Sergio Moro está no nosso patrimônio", afirmou.

Flávio reproduz fake news para Moro no Senado - Ontem, em audiência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, na qual Moro compareceu para comentar as mensagens vazadas, o ministro ouviu a fake news ser reproduzida mais uma vez, desta por Flávio, filho mais velho do presidente. O congressista reproduziu parte da notícia falsa publicada pelo Pavão Misterioso.

"O Glenn Greenwald poderia ter pago um hacker russo para invadir os celulares de autoridades brasileiras. Essas transações podem ter sido feitas em bitcoins, uma moeda que é criptografada e não deixa rastros, no Panamá", disse Flávio. "Segundo denúncias, esses recursos se transformaram numa moeda chamada Ethereum, que também não deixa rastros, e depois enviados a uma corretora na Rússia.

Lá, o dinheiro foi convertido em rublos, É o que está dizendo na denúncia, não estou falando que elas são verdadeiras", afirmou sem citar a origem do boato - esta acusação estava nas mensagens do Pavão Misterioso, publicadas e apagadas no mesmo dia.

O filho do presidente continuou: "Greenwald e seu companheiro, que é deputado federal, David Miranda, teriam comprado o mandato do então deputado Federal Jean Wyllys por uma quantia de US$ 700 mil além de uma mesada de US$ 10 ao ex-Big Brother", afirmou. Questionado por Flávio se esta teoria está sendo investigada pela PF (Polícia Federal), o ministro foi lacônico e disse que todas as possibilidades estão sendo apuradas, mas ponderou: "Isso pode ser fake news, isso pode ser contrainteligência, pode ter algum respaldo. Enfim, as três alternativas são possíveis. É muito prematura qualquer conclusão".

Procurada, a Presidência disse que não irá comentar. O UOL também entrou em contato com a assessoria de imprensa de Flávio para comentar as declarações, mas ele não se manifestou até o fechamento da reportagem.

Objetivo é desqualificar Intercept, diz Wyllys - Em seu blog, Wyllys negou a venda de mandato e disse que o boato tem, como intenções principais, desqualificar as denúncias feitas pelo The Intercept Brasil e ignorar os motivos que o fizeram deixar o Brasil.

Em sua conta no Twitter, Miranda definiu a hipótese de compra de mandato como "estapafúrdia" e disse que é "vergonhoso" o fato de esta afirmação ter partido do presidente da República. O deputado também afirmou que o episódio se tratou de um crime de homofobia.

Também em sua conta no Twiiter, Greenwald escreveu que "qualquer um com uma racionalidade mínima ou tempo para pensar sobre isso [a teoria do Pavão Misterioso] imediatamente reconhece a estupidez desequilibrada disso". O jornalista ainda aponta erros de inglês no documento apresentado pelo perfil.

 

Fonte: Uol Notícias - *Colaborou Luciana Amaral, do UOL, em Brasília

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