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Assessores de Flávio Bolsonaro recebiam salário, mas não tinham crachá e ficavam longe da Alerj

Assessores de Flávio Bolsonaro recebiam salário, mas não tinham crachá e ficavam longe da Alerj

03/06/2019 às 13h52 Atualizada em 03/06/2019 às 16h52
Por: Redação
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Senador Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou nove parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, no período em que foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) . A maioria deles vive em Resende, no Sul do estado do Rio e todos tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio.

Nas últimas semanas, O GLOBO apurou que ao menos quatro deles têm dificuldades para comprovar que, de fato, assessoraram Flávio. Em Resende, o vendedor aposentado José Procópio Valle e Maria José de Siqueira e Silva, pai e tia de Ana Cristina, jamais tiveram crachá funcional da Alerj. Ele ficou lotado cinco anos e ela, nove.

Apesar de ter nascido em Resende, a cidade não é reduto eleitoral de Flávio. Ele também não possui escritório político lá.

Já a irmã Andrea Siqueira Valle e o primo Francisco Diniz constaram como funcionários por mais de uma década e só há registro de crachá para o ano de 2017.

Diniz é o que ficou mais tempo lotado, um total de 14 anos. Durante esse tempo, ele cursou a faculdade de veterinária, em período integral, em Barra Mansa, também no Sul do estado.

Assessores de Flávio Bolsonaro sob suspeita:

Queiroz, o amigo da família.

Fabrício Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro por mais de dez anos Foto: Reprodução/Facebook
Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio Bolsonaro, é investigado por suspeita de praticar a chamada rachadinha - prática de devolução dos salários de funcionários - no gabinete do então deputado estadual. Foi citado pelo Coaf por movimentações financeiras suspeitas de R$ 1,2 milhão e teve o sigilos fiscal e bancário quabrados.

Nathalia, a personal trainer

NathÁlia Melo de Queiroz é filha de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, e ex-secretária parlamentar de Jair Bolsonaro Foto: ReproduçãoFilha de Queiroz, Nathalia Queiroz também apareceu na lista do Coaf e teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça. Ela trabalhou na Câmara com Jair Bolsonaro e no gabinete de Flávio na Alerj. No mesmo período, também atuava como personal trainer de diversas celebridades.Funcionária por 10 anos, nunca teve crachá da Alerj.

 

Márcia, mulher de Queiroz

A mulher de Queiroz, Marcia Aguiar, foi nomeada no gabinete de Flávio em 2007 e lá ficou até 2017 Foto: ReproduçãoA mulher de Queiroz, Marcia Aguiar, foi nomeada no gabinete de Flávio em 2007 e lá ficou até 2017, com salário bruto de R$ 9.835,63. Mesmo lotada como consultora especial para assuntos parlamentares, ela declarou-se "cabeleireira" em um processo para a Defensoria Pública em 2008. Nunca teve crachá na Alerj.

 

Enteada de Queiroz

Márcio Gerbatim com a enteada, que foi indicada para trabalhar no gabinete de Flávio Bolsonaro Foto: Reprodução
Enteada de Queiroz, Evelyn Mayara de Aguiar Gerbatim, foi nomeada para o cargo de assessora em 2017, na vaga da mãe, Márcia Aguiar. O pai de Evelyn, Márcio Gerbatim - que também trabalhou no gabinete de Flávio - informou desconhecer que a filha tenha trabalhado lá. Segundo ele, Evelyn cursava faculdade e trabalhava em uma farmácia.

Mãe e mulher de foragido

Procurado: Adriano Magalhães da Nóbrega é acusado de chefiar grupo de matadores de aluguel Foto: Divulgação / Polícia CivilRaimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Justiça por suspeita no caso Marielle Franco, ocupavam cargo com salário de R$ 6.490,35. Raimunda é uma das servidoras que fizeram repasses para Queiroz. Nunca tiveram crachá da Alerj.

 

Wellington, assessor em Portugal

O ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro Wellington Servulo Romano da Silva Foto: Reprodução/TV GLOBO
O tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Wellington Servulo Romano da Silva, de 48 anos, passou 248 dias fora do Brasil durante o período de um ano e quatro meses em que trabalhou no gabinete de Flávio na Alerj e, ainda assim, recebeu os salários e as gratificações. Ele é um dos servidores que transferiram recursos para Queiroz.

 

Francisco Diniz, o assessor que fez faculdade integral

Francisco Diniz, assessor que fez faculdade integral de veterinária enquanto Foto: Arquivo pessoalO veterinário Francisco Siqueira Guimarães Diniz é primo da ex-mulher de Bolsonaro e foi lotado inicialmente no gabinete de Flávio quando tinha 21 anos, em 2003. Em 2005, ele começou a cursar a faculdade de Medicina Veterinária em Barra Mansa, a 140 quilômetros do Rio. Funcionário por 14 anos, nunca teve crachá na Alerj.

 

Andrea Valle, fisiculturista que vive de faxinas

Andrea Siqueira Valle, a fisiculturista que vive de faxina Foto: Juliana Dal Piva/Agência O GloboIrmã da ex-mulher de Bolsonaro, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, de 47 anos, foi nomeada para cargo em 2008 e por 9 anos jamais teve identificação funcional. Apenas em 2017 foi pedido um crachá da Alerj em seu nome. Nesse período, ela sempre viveu em Resende. Tinha salário bruto de R$ 7.326,64, além de receber auxílio educação de R$ 1.193,36.

 

José Cândido, ex-sogro de Bolsonaro

José Cândido Procópio da Silva Valle é ex-sogro do presidente Jair Bolsonaro Foto: ReproduçãoO vendedor aposentado José Cândido Procópio da Silva Valle, de 76 anos, é pai de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Ele foi nomeado no gabinete de Flávio em 2003. Lá, teve um salário bruto que chegou a R$ 6.322,28 em 2007. Ele foi exonerado um ano depois. Durante todo o período jamais teve crachá da Alerj.

 

Maria José, professora de Resende

A professora aposentada Maria José Siqueira e Silva, de 77 anos, também nunca teve crachá funcional da Alerj, apesar de ter sido lotada no gabinete de Flávio de outubro de 2003 até maio de 2012. Tia da ex-mulher do presidente, ela chegou a receber um salário bruto de R$ 4.400,06.

Fonte: O Globo

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