
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou nove parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, no período em que foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) . A maioria deles vive em Resende, no Sul do estado do Rio e todos tiveram o sigilo fiscal e bancário quebrado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio.
Nas últimas semanas, O GLOBO apurou que ao menos quatro deles têm dificuldades para comprovar que, de fato, assessoraram Flávio. Em Resende, o vendedor aposentado José Procópio Valle e Maria José de Siqueira e Silva, pai e tia de Ana Cristina, jamais tiveram crachá funcional da Alerj. Ele ficou lotado cinco anos e ela, nove.
Apesar de ter nascido em Resende, a cidade não é reduto eleitoral de Flávio. Ele também não possui escritório político lá.
Já a irmã Andrea Siqueira Valle e o primo Francisco Diniz constaram como funcionários por mais de uma década e só há registro de crachá para o ano de 2017.
Diniz é o que ficou mais tempo lotado, um total de 14 anos. Durante esse tempo, ele cursou a faculdade de veterinária, em período integral, em Barra Mansa, também no Sul do estado.
Queiroz, o amigo da família.

Nathalia, a personal trainer
Filha de Queiroz, Nathalia Queiroz também apareceu na lista do Coaf e teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça. Ela trabalhou na Câmara com Jair Bolsonaro e no gabinete de Flávio na Alerj. No mesmo período, também atuava como personal trainer de diversas celebridades.Funcionária por 10 anos, nunca teve crachá da Alerj.
Márcia, mulher de Queiroz
A mulher de Queiroz, Marcia Aguiar, foi nomeada no gabinete de Flávio em 2007 e lá ficou até 2017, com salário bruto de R$ 9.835,63. Mesmo lotada como consultora especial para assuntos parlamentares, ela declarou-se "cabeleireira" em um processo para a Defensoria Pública em 2008. Nunca teve crachá na Alerj.
Enteada de Queiroz

Mãe e mulher de foragido
Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Justiça por suspeita no caso Marielle Franco, ocupavam cargo com salário de R$ 6.490,35. Raimunda é uma das servidoras que fizeram repasses para Queiroz. Nunca tiveram crachá da Alerj.
Wellington, assessor em Portugal

Francisco Diniz, o assessor que fez faculdade integral
O veterinário Francisco Siqueira Guimarães Diniz é primo da ex-mulher de Bolsonaro e foi lotado inicialmente no gabinete de Flávio quando tinha 21 anos, em 2003. Em 2005, ele começou a cursar a faculdade de Medicina Veterinária em Barra Mansa, a 140 quilômetros do Rio. Funcionário por 14 anos, nunca teve crachá na Alerj.
Andrea Valle, fisiculturista que vive de faxinas
Irmã da ex-mulher de Bolsonaro, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, de 47 anos, foi nomeada para cargo em 2008 e por 9 anos jamais teve identificação funcional. Apenas em 2017 foi pedido um crachá da Alerj em seu nome. Nesse período, ela sempre viveu em Resende. Tinha salário bruto de R$ 7.326,64, além de receber auxílio educação de R$ 1.193,36.
José Cândido, ex-sogro de Bolsonaro
O vendedor aposentado José Cândido Procópio da Silva Valle, de 76 anos, é pai de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Ele foi nomeado no gabinete de Flávio em 2003. Lá, teve um salário bruto que chegou a R$ 6.322,28 em 2007. Ele foi exonerado um ano depois. Durante todo o período jamais teve crachá da Alerj.
Maria José, professora de Resende
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