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Presidente da Petrobras nega qualquer alegação de pressão por parte do governo Lula em sua gestão

Ação da empresa caiu na bolsa de valores na semana passada

20/03/2024 às 07h27
Por: Redação Fonte: A Tarde
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Presidente da Petrobras afirmou que as decisões são comunicadas ao mercado com transparência - Foto: Ricardo Stuckert | PR
Presidente da Petrobras afirmou que as decisões são comunicadas ao mercado com transparência - Foto: Ricardo Stuckert | PR

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, negou que esteja sob pressão do governo Lula para bloquear o pagamento de dividendos extraordinários e garantiu que sua gestão busca um equilíbrio para satisfazer os acionistas.

A ação da empresa caiu na bolsa de valores na semana passada, após a decisão do conselho de administração de não distribuir esses dividendos, em meio a críticas de intervencionismo do governo petista nas empresas públicas.

“Não é pressão do governo, são diretrizes do governo. Eu escrevi o capítulo do programa de governo de Lula 3 relacionado ao petróleo. Sei o que está escrito ali, ninguém precisa me dar ordem direta toda hora", disse Prates nesta terça-feira (19), em entrevista à AFP em Houston.

“Não há pressão, é uma influência de um programa de governo que foi eleito, que foi escrito, e do qual a Petrobras faz parte também como implementadora de políticas”, acrescentou Prates, que participa no Texas da conferência sobre energia CERAWeek.

O presidente da Petrobras ressaltou que quem ingressa em uma estatal como sócio do Estado brasileiro “pode ter decepções, surpresas, mas também tem grandes alegrias, porque a gente cresceu 115% em dólar (preço da ação) no primeiro ano de gestão".

"A grande mágica aqui é equilibrar as coisas na gestão de uma empresa que eu chamo de corporação estatal. É uma empresa, de fato, que tem desafios internos de gestão. Você tem acionistas que, às vezes, têm interesses diametralmente opostos”, explicou Prates. A Petrobras é uma empresa estatal “gerida de forma a manter seus acionistas estruturais satisfeitos."

Indicado por Lula no ano passado, Prates disse que se sente à vontade no cargo e ressaltou sua experiência em gestão empresarial e política.

Confiança na gestão

Integrantes do governo defenderam na semana passada a decisão do conselho de administração e tentaram acalmar os investidores esclarecendo que os recursos que serão retidos em reserva (cerca de 9 bilhões de dólares) poderão ser distribuídos como dividendos no futuro.

“A Petrobras é uma sociedade anônima, precisa cumprir a lei das S.A.. Você tem uma lei que rege estatais e uma lei que rege as S.A.. Na questão dos dividendos, rege a lei das S.A,, e pode haver a criação, como foi feito no ano passado, de uma conta de reserva para pagamentos de dividendos ao longo de uma certa linha do tempo, o que é perfeitamente normal", observou Prates.

O presidente da Petrobras afirmou que as decisões são comunicadas ao mercado com transparência. "O mercado reage e depois volta" aos seus níveis.

Em meio às críticas, o governo Lula anunciou na semana passada que vai renovar o conselho de administração da Petrobras para “oxigenar” as estruturas de decisão, ressaltando que a medida não será imediata.

O presidente brasileiro criticou repetidas vezes a gestão da receita da Petrobras, que considera favorável aos acionistas, em detrimento da sociedade.

“Confiem na nossa gestão”, pediu Prates. “Sabemos que estamos traçando o caminho de um transatlântico que tem que atravessar um oceano difícil, mas temos máquinas boas, pessoas boas, capacidade de gestão para atravessar esse oceano e chegar do outro lado transformando uma empresa moderna e de energia em geral, com muita participação de fontes renováveis."

Sobre os objetivos mundiais de transição para energias limpas, Prates disse que a Petrobras tem uma “perspectiva realista. Nunca fizemos anúncios e prometemos coisas impossíveis."

O presidente ressaltou que são realizadas atividades paralelas às tradicionais, como a reinjeção de CO2 de seus campos de produção de petróleo no pré-sal, diretamente no fundo do mar, evitando emissões, onde também participa a francesa Total.

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