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Dino no STF: governo aposta em até 53 senadores a favor, enquanto oposição prevê 30 votos contra indicado de Lula

Ministro da Justiça reforçou investida fora da base e terá o apoio de colegas da Esplanada, que vão retomar mandatos temporariamente

13/12/2023 às 07h23
Por: Redação Fonte: O Globo
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O ministro Flávio Dino no Senado em campanha por vaga no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O GLOBO
O ministro Flávio Dino no Senado em campanha por vaga no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O GLOBO

Governistas chegam ao dia da sabatina do ministro Flávio Dino (Justiça) ao Supremo Tribunal Federal (STF) confiantes em um placar de 45 a 53 votos a favor da nomeação. No lado da oposição, a aposta é que 30 senadores se posicionem contra, número que marcaria uma posição de força, mas insuficiente para barrar a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Corte.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), reiterou que o Executivo tem tranquilidade na aprovação de Dino e afirmou que ele terá um placar entre 45 e 52 votos. São necessários no mínimo 41 para a aprovação. Já o relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), está mais confiante: prevê ao menos 53 senadores a favor e acrescenta a possibilidade de o atual ministro da Justiça ter ampliado ainda mais o espaço entre indecisos.

 

Governistas acreditam que Dino tem um teto de 62 votos para conquistar entre os 81 senadores. Ficam fora das possibilidades, por exemplo, a bancada do PL, com 12 integrantes, e parlamentares declaradamente de oposição, como Damares Alves (Republicanos-DF).

Levantamento do GLOBO com toda a Casa mostrou que, no início do mês, 24 se diziam a favor da nomeação. Por outro lado, 21 se posicionaram contra, número maior dos que os 18 que se opuseram à indicação do hoje ministro Cristiano Zanin, em junho, quando o ex-advogado do presidente conseguiu o aval para assumir uma vaga na Corte.

De lá pra cá, Dino conquistou ao menos um voto favorável: Angelo Coronel (PSD-BA), que havia se declarado indeciso, por não conhecê-lo pessoalmente, mas mudou de ideia após um encontro entre os dois.

Dino acredita ter conquistado outros votos entre os indecisos, a quem se dedicou a encontrar e conversar nos últimos dias antes da sabatina.

— As pessoas mudam. Tenho a certeza que nessa caminhada na estrada de Damasco, muitos corações foram tocados. Senão, valeu a boa conversa — disse o ministro da Justiça, em referência a uma passagem da Bíblia sobre a conversão de um personagem ao cristianismo.

 

Reunião com oposição

 

Na véspera, Dino fez uma nova investida em parlamentares da oposição e conversou com Plínio Valério (PSDB-AM), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR). Dino também esteve mais cedo com Alessandro Vieira (MDB-SE), que, apesar de ser de um partido da base do governo, é independente. Houve ainda encontros com as bancadas de PSD e MDB.

Plínio Valério declarou voto contra Dino, mas aceitou receber o ministro, com quem tratou de temas relativos ao Amazonas.

— Foi cordial. Mesmo sabendo que meu voto é não, ele veio conversar. Falamos sobre demarcação de terras e também sobre as raízes dele no Amazonas. O pai nasceu em Itacoatiara, perto de Manaus — disse Valério, que segue votando contra a indicação.

 

Ministros em campo

 

Para garantir a vitória, ministros de Lula com mandato no Senado vão retornar ao Congresso temporariamente para participar da votação de Dino e do subprocurador-geral Paulo Gonet, indicado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, nesta quarta-feira. Os ministros Renan Filho (Transportes), Camilo Santana (Educação) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) confirmaram ao GLOBO a ida ao Senado.

No fim de outubro, o Senado impôs uma derrota ao governo ao rejeitar a indicação de Igor Roque para a chefia da Defensoria Pública da União (DPU) — houve 38 votos contra e 35 a favor. Na tentativa de aprovar Dino e Gonet, o governo reforçou a articulação, mas, segundo interlocutores não houve pedido expresso para que os titulares retomassem os mandatos. No entanto, cientes da necessidade de mostrar peso político, os ministros resolveram reassumir os postos e comunicaram o Palácio do Planalto.

A volta dos ministros ao Parlamento é vista internamente mais como um ato simbólico e político do que um reforço no número de votos que cada um poderá ter, já que seus suplentes declararam apoio a Flávio Dino e a Paulo Gonet.

A exceção é a suplente do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, senadora Margareth Buzetti (PSD-SC), que até assumir a suplência era filiada ao PP. Ela se declarou indecisa em relação à indicação de Dino. A ida de Fávaro ao Senado nesta quarta-feira, no entanto, ainda não está confirmada.

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