| Do plasma é extraída a matéria-prima para a produção dos hemoderivados. É na imunoglobulina retirada do plasma, por exemplo, que ficam contidos os nossos anticorpos. Ela é usada na produção de remédios para diversas doenças que vão de problemas de coagulação a câncer ou aids. E é aí que entra o interesse da indústria farmacêutica na PEC do Plasma.
Quando começamos a ouvir os senadores, outro nome além da ABBS surgiu como “forte interessado na PEC”: a Blau Farmacêutica. Enquanto a associação admitiu ter feito lobby junto aos parlamentares, a empresa nega.
A Blau Farmacêutica é a única empresa brasileira, além da Hemobrás, com registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para produzir e comercializar imunoglobulina humana (igg 5g). Além disso, recentemente, a Blau adquiriu participação de uma fábrica de processamento de plasma nos Países Baixos, sendo também a única brasileira no mercado fracionador. Mas ela não é a única que está de olho no sangue do povo brasileiro.
Um estudo realizado em 2021 no exterior identificou que nosso sangue tem mais durabilidade e rendimento maior de imunoglobulina do que o do mercado europeu e, por isso, pode gerar mais lucro para a indústria farmacêutica. Cada grama de imunoglobulina extraída vale cerca de 40 euros (cerca de R$ 210) e leva nada menos que oito meses para ser coletada, transportada, fragmentada, processada, refinada e envasada na forma de medicamentos.
A pesquisa, feita pela suíça Octapharma, identificou que o plasma brasileiro rende 4,8 g de imunoglobulina por litro, 37% a mais do que a média padrão de 3,5 g do mercado europeu, que chega apenas a 4,5 g em casos "excelentes". Um ano depois dessa descoberta, a PEC do Plasma foi protocolada pelo senador Nelsinho Trad (PSD/MS).
Na reportagem, tentamos mostrar todos os dados e lados relevantes para que você entenda esta proposta. É um assunto pouco debatido na sociedade em geral, mas que pode afetar a todos nós. Por isso, merece o olhar investigativo da Pública e a atenção dos nossos leitores. É nesse jornalismo que acreditamos, o que coloca lupa onde pouco se está olhando, ou naquilo que estão tentando nos esconder. |