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Por que o dólar voltou a R$ 5? A alta veio para ficar? Analistas respondem

Receio de que os Estados Unidos possam manter a taxa de juros alta por mais tempo faz estrangeiros deixarem investimentos no Brasil, segundo especialistas. Moeda fechou em R$ 5,05

28/09/2023 às 07h31
Por: Redação Fonte: O Globo
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Dólar voltou a ultrapassar R$ 5 — Foto: Freepik
Dólar voltou a ultrapassar R$ 5 — Foto: Freepik

Depois de atingir hoje a máxima de R$ 5,0791, o dólar fechou nesta quarta-feira com alta de 1,22% ante o real, cotado a R$ R$ 5,0478. É o maior valor para a divisa desde 31 de maio, quando terminou a R$ 5,0731.

Mas o que fez a moeda americana voltar a esse patamar? E essa alta veio para ficar? Veja a seguir o que analistas ouvidos pelo GLOBO pensam.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta como motivos as incertezas no exterior e a percepção de que os juros nos Estados Unidos podem permanecer elevados por um período mais longo. Com títulos americanos (os ativos mais líquidos e seguros do mundo) mais atraentes, o fluxo de capital (e de dólares, portanto) para economias emergentes como o Brasil é menor.

Na semana passada, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell, manteve os juros entre 5,25% e 5,5% ao ano (maior patamar em duas décadas) e não afastou a possibilidade de nova alta de juros para conter a inflação na maior economia do mundo.

O presidente do Fed em Minneapolis, Neel Kashkari, disse não ter certeza de que o atual nível de juros é suficientemente restritivo para fazer a inflação voltar à meta de 2% ao ano. E ainda preocupa o impacto sobre a economia da possibilidade de shutdown nos EUA, ou seja, de paralisação de serviços públicos a partir de 1º de outubro sem um acordo no Congresso sobre crédito suplementar para o Executivo.

Um impacto possível, por exemplo, é nas viagens aéreas, já que milhares de controladores de tráfego aéreo correm o risco de ficar sem remuneração. Outro risco é a interrupção de inspeção em instalações de água potável e produtos químicos.

— Vemos o dólar indo para um movimento de alta pelo temor de que o mercado possa não conseguir conter a inflação. É natural que o investidor gringo mude o fluxo, saindo de países emergentes, ao recalcular risco e retorno — explica Lima.

 

Por que juros altos nos EUA mexem com o dólar aqui?

 

Os EUA são vistos como a economia mais segura do mundo. Na hora de aplicar o dinheiro, os investidores fazem uma análise de risco-retorno, isto é, se as taxas realmente compensam os riscos a serem tomados.

Com maior juros lá fora e perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic (a taxa básica de juros brasileira) aqui, há uma diminuição do diferencial de juros entre Brasil e EUA, explica Daniel Pontes, da Swap Câmbio e Capitais Internacionais.

Membros do Banco Central: autoridade monetária brasileira está na contramão do Fed, o que reduz diferencial de juros brasileiro — Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Membros do Banco Central: autoridade monetária brasileira está na contramão do Fed, o que reduz diferencial de juros brasileiro — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Sendo assim, muitos estrangeiros optam por abandonar os investimentos na Bolsa ou na renda fixa brasileira para fazer alocações nos chamados treasuries americanos, que são títulos do governo dos EUA. Esse fluxo de dinheiro faz com que o estoque de dólar no Brasil diminua.

Para sair do Brasil, o investidor troca reais por dólares. Com maior demanda e menor oferta das verdinhas por aqui, a cotação da moeda americana em relação ao real sobe.

— A taxa de juros na economia americana continua muito alta. E o dinheiro sempre tende a migrar para a economia mais segura — analisa Pontes. — Apesar da situação fiscal (dos EUA) complicada, quando se analisa a economia como um todo, o dólar continua sendo a moeda corrente mundial.

 

Novo patamar deve se manter até o fim do ano

 

Para o analista, com a perspectiva de os juros continuarem altos nos EUA até o fim do ano, o dólar por aqui também deve ficar pressionado:

— Acredito que até o final do ano vamos ver o dólar girando em torno de R$ 4,90 e R$ 5.

A última edição do Boletim Focus, pesquisa feita pelo Banco Central entre analistas econômicos do mercado brasileiro, aponta que a moeda americana deve terminar 2023 cotada a R$ 4,95 e permanecer em R$ 5 ao longo de 2024.

 

Nível do petróleo também é motivo

 

A alta dos preços do petróleo, que subiram cerca de 3% nesta quarta-feira, com o barril de Brent terminando cotado a US$ 96,55 — maior fechamento em 2023 —, também alimenta o temor de níveis inflacionários maiores. Se os combustíveis sobem, mais difícil é para o Fed debelar a inflação americana e baixar os juros.

Cotação internacional de petróleo está em alta — Foto: Helmut Otto/Agência Petrobras
Cotação internacional de petróleo está em alta — Foto: Helmut Otto/Agência Petrobras

Nesse contexto, a cautela, de acordo com Bruno Komura, analista da Potenza Capital, leva à maior procura pela renda fixa, tanto que o rendimento do título americano de dez anos foi negociado no maior nível em 16 anos, a 4,61%. Isso tira mais dólares dos mercados emergentes.

Diego Costa, head de câmbio para Norte e Nordeste da B&T Câmbio, ainda acrescenta que, com a agenda de indicadores previstos para esta semana, investidores têm evitado a exposição ao risco, ao mesmo tempo em que monitoram a cena política local.

 

Incertezas domésticas

 

Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama, sugere que o dólar deve permanecer em patamar elevado em relação ao real ainda por bastante tempo:

— A percepção de que os juros americanos ficarão elevados por longo tempo favorece a moeda americana. Além disso, os ruídos domésticos relacionados ao lado fiscal, com a questão dos precatórios e o impacto sobre as contas públicas, levam a crer que o governo não deve conseguir entregar o déficit primário zero ano que vem, como prometeu.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante cerimônia: dificuldades da equipe econômica para atingir metas fiscais afetam câmbio — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/28-08-2023
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante cerimônia: dificuldades da equipe econômica para atingir metas fiscais afetam câmbio — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/28-08-2023

Para Luciano Costa, sócio e economista-chefe da Monte Bravo, a discussão sobre mudanças nos precatórios também contribui para a alta do dólar:

— A mudança na contabilização dos precatórios levanta dúvidas se teremos eventuais novas propostas de mudança de regra para outras despesas do governo, o que deixa a curva de juros estressada e pressiona o câmbio.

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