No Jornal Nacional, Bolsonaro usa informação falsa para acusar Bonner de 'fake news'
No Jornal Nacional, Bolsonaro usa informação falsa para acusar Bonner de 'fake news'
25/08/2022 às 08h28Atualizada em 25/08/2022 às 11h28
Por: Redação
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Foto: Reprodução
O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) foi entrevistado no Jornal Nacional, na TV Globo, nesta segunda-feira (22). Durante a entrevista, Bolsonaro usou uma informação falsa de que não teria xingado ministros do STF para acusar William Bonner, um dos apresentadores, de "fake news". Além disso, Bolsonaro voltou a defender a atuação do governo federal na pandemia e citou dados sobre o desempenho da sua gestão na economia. A Lupa checou algumas das frases ditas pelo presidente na entrevista. A assessoria de imprensa de Bolsonaro foi procurada, e esta checagem será atualizada se houver respostas. Veja, a seguir, o resultado:
"Você não está falando a verdade quando fala em xingar ministros [do STF]. (...) É fake news da sua parte"
– Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em entrevista ao Jornal Nacional de 22 de agosto de 2022
Falso
O presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) publicamente mais de uma vez. Embora o chefe do Executivo tenha dito durante a entrevista ao Jornal Nacional que xingou apenas um ministro, referindo-se a Alexandre de Moraes, Bolsonaro também já atacou o ministro Luís Roberto Barroso.
"[Em] 2018 houve uma denúncia de fraude, e a senhora Rosa Weber determinou que fosse aberto inquérito pela Polícia Federal para apurar fraude"
– Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em entrevista ao Jornal Nacional de 22 de agosto de 2022
Falso
É falso que a ministra Rosa Weber tenha determinado abertura de inquérito para apurar possibilidade de fraude nas eleições de 2018. De fato, uma acusação foi protocolada pelo advogado Ricardo Freire Vasconcellos (requerimento 2018.00.000013829-4) no Tribunal Superior Eleitoral alegando “fraude matemática” nas urnas. No entanto, o requerimento foi analisado pela Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE e arquivado por falta de provas, sem abertura de inquérito.
Outro caso, sem relação com fraudes nas urnas, foi alvo de investigação da Polícia Federal em 2018. Trata-se de um ataque hacker contra o sistema eletrônico do TSE. O inquérito foi aberto a pedido do secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Dutra Janino (página 102 do documento), em novembro de 2018. A determinação não veio de Weber, que apenas designou uma equipe para constituir uma Comissão de Sindicância a apurar a denúncia (página 118 do inquérito).
“A primeira vacina do mundo [contra Covid-19] foi dada em dezembro de 2020. Em janeiro, nós já estávamos vacinando no Brasil”
– Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em entrevista ao Jornal Nacional de 22 de agosto de 2022
“O que eu falei é que, quando foi decidido o que era essencial, o trabalho essencial, eu falei: deve ser todo aquele necessário para um homem e uma mulher levar o pão pra dentro de casa. A própria OMS concordou comigo nessa questão”
– Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em entrevista ao Jornal Nacional de 22 de agosto de 2022
Falso
Desde 2020, Bolsonaro distorce uma declaração do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma entrevista coletiva de 30 de março daquele ano. Na ocasião, o diretor ponderou que, em alguns países, as pessoas mais pobres têm que trabalhar “todo santo dia para conseguir o seu pão”. No entanto, não defendeu que todos os trabalhos fossem considerados essenciais naquele momento.
Adhanom afirmou apenas que essas pessoas deveriam ser “levadas em conta” na hora de os países decidirem sobre políticas públicas para mitigar os impactos da Covid-19, sem especificar, exatamente, como.
“Nós pretendemos diminuir impostos de 4 mil produtos em 35% de IPI. (...) É que a proposta parou no Supremo Tribunal Federal”
– Jair Bolsonaro (PL), presidente e candidato à reeleição, em entrevista ao Jornal Nacional de 22 de agosto de 2022
O ministro argumentou que o decreto poderia impactar na competitividade e no modelo de desenvolvimento regional mantido pela Constituição Federal, “que assegura o tratamento diferenciado da região como compensação pelos maiores custos decorrentes dos desafios enfrentados pela indústria local”. A Zona Franca de Manaus tem, por lei, isenção do IPI sobre produtos produzidos na região como forma de estimular a economia regional.
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