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Conquista histórica: escolas municipais quilombolas ganham novos nomes respaldados pela comunidade

Conquista histórica: escolas municipais quilombolas ganham novos nomes respaldados pela comunidade

02/08/2022 às 07h56 Atualizada em 02/08/2022 às 10h56
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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A unidade escolar localizada na Comunidade Quilombola de Cangula, zona rural de Alagoinhas, ganhou um novo nome e agora se chama Escola Municipal Quilombola Professor João Anastácio. A mudança de nomenclatura é uma conquista histórica, que foi publicada no Diário Oficial do Município da última quinta-feira, 25 de julho.

De acordo com Dulcineide Bispo, coordenadora do IFARADÁ – Núcleo de Educação Escolar Quilombola da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC), a troca de nome da Escola Municipal Carlos Gomes para Professor João Anastácio reflete os avanços promovidos pela Educação Quilombola no município, pautada nos saberes ancestrais e na valorização da comunidade.

Antes disso, uma outra escola municipal  já havia obtido essa conquista, na comunidade de Catuzinho, uma das maiores localidades quilombolas de Alagoinhas. Trata-se da antiga Escola Municipal Jorge Amado, que foi totalmente requalificada e reinaugurada como Escola Municipal Quilombola Mãe Ernestina, no dia 15 de maio.

“Essa conquista é fruto de todo um movimento, com várias reuniões com as comunidades, que acataram as mudanças”, informou Dulcineide. As referidas substituições foram aprovadas em assembleias realizadas no dia 13/02/2022 (no Catuzinho) e no dia 14/02/2022 (no Cangula).

O professor João Anastácio era uma referência em  Cangula, conhecido por ensinar adultos a ler e escrever. Já Mãe Ernestina era uma parteira muito querida em Catuzinho. “Nada mais justo do que colocar o nome de pessoas de referência em tais comunidades quilombolas, por isso foi feita a troca”, complementou a coordenadora do IFARADÁ.

IFARADÁ – Núcleo de Educação Escolar Quilombola da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC)

Desde os anos 80,  diversas Comunidades Quilombolas começaram a se organizar em prol da Educação Escolar Quilombola, a fim de fortalecer sua ancestralidade.  Em 2008, a  instituição da Lei Nº 11.645 tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas públicas. Outras conquistas foram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicorraciais (2007) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (2012).

Em Alagoinhas, a criação do Núcleo de Educação Quilombola da SEDUC foi formalizada em novembro de 2021, com a missão de garantir o direito a uma educação diferenciada, que leve em consideração a herança africana, os movimentos de resistência e a articulação com a comunidade. Nomeado de IFARADÁ, palavra iorubana que significa resistência pelo conhecimento, o Núcleo insere Alagoinhas como referência na educação quilombola da região.

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