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Conflitos na Amazônia deixaram 15 mortos este ano, diz Comissão Pastoral da Terra

Conflitos na Amazônia deixaram 15 mortos este ano, diz Comissão Pastoral da Terra

18/06/2022 às 11h02 Atualizada em 18/06/2022 às 14h02
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Dados preliminares da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que mapeia a violência no campo no Brasil, mostram que 19 pessoas foram assassinadas este ano em decorrência de conflitos, das quais 15 na Amazônia Legal, onde foram mortos o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips. O número não incluiu o assassinato deles e, segundo a CPT, os indígenas são maioria entre as vítimas.

Em abril passado, por exemplo, dois indígenas foram mortos e cinco ficaram feridos na comunidade Pixanehab, na TI Ianomâmi, num conflito com garimpeiros, que teriam armado uma aldeia rival. A comunidade Pixanehab é contra a invasão de suas terras por garimpeiros.

Em 2021, segundo a CPT, foram registrados 35 assassinatos no país, dos quais 28 ocorreram nos estados amazônicos.

O aumento foi de 75% em relação a 2020. Entre os indígenas assassinados estão José Vane Guajajara, 26 anos, na Terra Indígena Rio Pindaré (MA) e Isac Tembé, 24 anos, da Terra Indígena Rio Guamá, no Pará, na porção de floresta Amazônica que resta em pé entre os dois estados.

— Em apenas um ano e meio tivemos 43 assassinatos em conflitos na Amazônia. É reflexo da corrida desenfreada para se apropriar das riquezas da região, incentivada e facilitada pelo governo — afirma José Batista Afonso, teólogo e advogado da CPT em Marabá (PA).

Afonso afirma que há um grande deslocamento para a Amazônia e já não se trata de "pioneiros", famílias que buscavam a região para se estabelecer com criação de gado ou agricultura. Nos últimos anos, assinala, graças às mudanças nas leis de regularização fundiária e o controle político e desmonte das instituições de fiscalização, a floresta virou palco dos mais diversos interesses criminosos.

— Ninguém chega sozinho mais. São integrantes de organizações criminosas que agem da forma mais violenta possível. São quadrilhas de pistolagem, de ocupação de terras e falsificação de documentos públicos — explica.

Afonso afirma que nas últimas quatro décadas 115 lideranças sociais e ambientais foram assassinadas apenas no Pará, sem que os responsáveis tenham sido punidos na maioria dos casos.

— A cada 10 assassinatos, se apura um e esses casos são de pessoas conhecidas, que exercem algum tipo de liderança na Amazônia. Se consideramos mortes de trabalhadores rurais, esse número se torna muito mais alto — diz o advogado.

Afonso afirma que, caso não sejam adotadas políticas públicas urgentes para reverter o quadro, o destino da Amazônia será o da região de Marabá.

— Aqui não tem mais floresta, madeira. Tudo foi destruído num período de meia década. Se nada for feito, o movimento de destruição da Amazônia será irreversível.

Indignação e tristeza

 

Nesta quinta-feira, a CPT divulgou nota manifestando tristeza e indignação com o assassinato de Bruno Pereira e Dom. Lembrou que a violência bárbara que vitimou os dois é praticada cotidianamente contra os povos do campo e das florestas e contra quem defende os direitos humanos e o meio ambiente. Além da impunidade, afirmou a entidade, a violência é reflexo do "amplo processo de retirada de direitos sociais, territoriais e ambientais que vivenciamos no Brasil, com aprofundamento após as eleições de 2018".

A entidade afirmou que, numa região dominada pelo crime organizado, comandada pelo narcotráfico, pela extração ilegal de madeira, exploração ilegal de garimpos e pesca ilegal, os que defendem os povos indígenas e lutam pela preservação da floresta não são "bem vistos". "Ao contrário, por alguns ali, é bem-visto o Presidente da República e todos os que querem uma Amazônia livre de qualquer restrição legal de exploração".

A CPT ressalta que a Amazônia concentra o maior número de conflitos e de violências contra os povos originários e tradicionais e sobre os sem-terra que buscam um pequeno espaço para sobreviver do seu trabalho.

Fonte: O Globo

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