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Sensação de inchaço pode ser causada por dieta ou doenças

Sensação de inchaço pode ser causada por dieta ou doenças

15/04/2022 às 08h09 Atualizada em 15/04/2022 às 11h09
Por: Redação
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Alimentos, hormônios e até tumores estão na lista de causas do incômodo

Em minha clínica de gastroenterologia, toda semana recebo reclamações de meus pacientes: as roupas estão muito apertadas e a barriga está inchada. É comum ouvir que eles se sentem como “grávidas de 30 semanas” — reclamação que é feita desde homens com mais de 60 anos até mulheres de 20.

Não é surpresa, então, que esses pacientes sofram de inchaço, aquela sensação desagradável de pressão no estômago que afeta cerca de um em cada cinco adultos. No entanto, entender por que o inchaço acontece – e tratá-lo – pode ser um desafio para pacientes e profissionais de saúde.

— As pessoas pensam: 'ah, é apenas inchaço', e muitas vezes deixam isso de lado, ou consideram que é uma queixa insignificante — disse Kimberly Harer, gastroenterologista e especialista em motilidade intestinal da Universidade de Michigan Health. Segundo ela, há pacientes que sofrem com os sintomas por décadas antes de finalmente procurarem ajuda.

Mas o inchaço não é apenas desconfortável: ele pode afetar “muitos aspectos da vida de nossos pacientes”, disse Harer, levando a problemas de constrangimento e de imagem corporal. E obter uma avaliação adequada é fundamental.

O que causa inchaço?

Inchaço e distensão são comuns e, para a maioria das pessoas, desaparecem após um curto período de tempo. Mas algumas pessoas são mais propensas a inchaço do que outras.

Aqueles com certas condições médicas – como intolerância à lactose, doença celíaca ou distúrbios que afetam a maneira como o intestino move o conteúdo por todo o corpo – têm inchaço mais regular como resultado do excesso de gás. Nesses pacientes, o gás se acumula no intestino delgado e empurra o diafragma para cima e a parede abdominal para fora para “dar espaço” para a pressão extra.

Se você não tem essas condições, mas tem inchaço que persiste por meses, pode ter algo chamado “inchaço funcional” ou inchaço sem causa identificável. Condições como síndrome do intestino irritável ou constipação idiopática crônica se enquadram nessa categoria. Nesses casos, os exames médicos geralmente parecem normais, mas o inchaço é um sintoma importante e recorrente que afeta a vida diária.

Esses casos de inchaço geralmente ocorrem não por causa da produção vertiginosa de gás, mas por causa da maneira como o abdômen reage a ele.

— Muito disso é a mecânica do corpo — disse Linda Nguyen, gastroenterologista e professora clínica de medicina na Stanford Medicine. — Basta pensar no que envolve a cavidade abdominal. Há o diafragma acima, o assoalho pélvico abaixo, a coluna nas costas e a parede abdominal na frente.

Um estudo publicado na revista Gastroenterology em 2009 descobriu que quando as pessoas com distúrbios funcionais estavam inchadas, o diafragma se contraía para baixo em vez de para cima, o que projetava os músculos da parede abdominal (em particular, os oblíquos internos) para a frente. Ao mesmo tempo, a quantidade de gás dentro de suas entranhas não aumentou.

Esses movimentos musculares anormais – e o inchaço que os acompanhava – ocorreram porque os nervos do intestino e da parede abdominal eram excessivamente reativos a quantidades normais de pressão de dentro dos intestinos (chamada hipersensibilidade visceral). Assim, mesmo pequenas quantidades de gás produzidas durante a digestão natural podem causar desconforto e distensão.

O que posso fazer para aliviar?

Os especialistas geralmente recomendam que os pacientes primeiro tentem identificar, depois eliminem, qualquer coisa em sua dieta ou estilo de vida que possa estar provocando o inchaço. Certos alimentos, particularmente aqueles ricos em fibras insolúveis, como vegetais crucíferos, lentilhas e feijões, são criminosos clássicos.

Outros gatilhos comuns incluem bebidas fermentadas como cerveja e kombucha, o adoçante artificial, bem como cebolas e frutas. Ocasionalmente, certos comportamentos, como beber água com gás, mascar chiclete ou fumar, podem aumentar o risco de inchaço, aumentando a quantidade de ar que você engole, e reduzi-los pode ajudar.

Com tantos gatilhos em potencial, pode ser difícil – ou até prejudicial – experimentar identificar e eliminar alimentos problemáticos por conta própria, portanto, é recomendável procurar a orientação de um nutricionista, disse Harer.

Fezes infrequentes, esforço ou sensação de que você nunca “esvaziou” completamente também podem contribuir para o inchaço. Esses sintomas podem resultar de uma coordenação inadequada do assoalho pélvico, que pode ser melhorada com fisioterapia especializada.

Tenha em mente que algumas causas de inchaço não estão diretamente relacionadas ao seu intestino. Alguns pacientes que roncam ou usam regularmente máquinas de CPAP para apneia do sono, por exemplo, podem ter inchaço extra ao acordar pela manhã, disse Harer.

Pacientes com doença hepática também podem ter líquido extra no abdômen, criando distensão. E as flutuações na progesterona da menstruação e certos tipos de contraceptivos podem aumentar o inchaço. Mulheres na pós-menopausa, em particular com nova distensão, devem discutir esses sintomas imediatamente com um médico, pois isso pode ser um sinal de câncer de ovário.

— Cada pessoa é diferente, então o que causa inchaço em seu amigo ou membro da família não é o que pode causar inchaço em você — disse Harer.

Se no final do dia você ainda não consegue descobrir por que está inchado o tempo todo, é recomendado consultar um gastroenterologista. Ninguém deveria se sentir envergonhado de mudanças na barriga.

— Os pacientes devem se sentir empoderados para discutir o inchaço e obter a ajuda de que precisam.

Fonte: O Globo

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