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Putin anuncia que passará a cobrar exportações de gás à Europa em rublos

Putin anuncia que passará a cobrar exportações de gás à Europa em rublos

23/03/2022 às 19h04 Atualizada em 23/03/2022 às 22h04
Por: Redação
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Russian President Vladimir Putin talks during a press conference with Hungarian Prime Minister after their meeting at the Kremlin in Moscow on February 1, 2022. (Photo by YURI KOCHETKOV / POOL / AFP)
Russian President Vladimir Putin talks during a press conference with Hungarian Prime Minister after their meeting at the Kremlin in Moscow on February 1, 2022. (Photo by YURI KOCHETKOV / POOL / AFP)

Rublo desvalorizou 60% com sanções impostas por EUA e União Europeia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, decidiu cobrar as exportações de gás à Europa em rublos. "Não tem sentido oferecer nossos produtos à União Europeia e aos Estados Unidos em dólares e euros", declarou o chefe de Estado nesta quarta-feira (23). Até janeiro deste ano, 57% das vendas da estatal russa Gazprom eram pagas em euros e 39% em dólares estadunidenses.

A medida busca fortalecer a moeda nacional russa, que desvalorizou cerca de 60% após o banimento do sistema financeiro Swift, o confisco das reservas internacionais do banco central da Rússia e outro pacote de medidas coercitivas unilaterais. Apesar da mudança na moeda de cobrança, o presidente russo afirmou que manterá o abastecimento e os valores acordados.

O ministro de economia alemão, Robert Habeck, declarou que a decisão representa uma quebra de contrato e que a Alemnha iria discutir uma resposta com os seus parceiros do bloco europeu. A Áustria que abastece cerca de 80% da demanda nacional com gás russo disse "não estar autorizada" a realizar pagamentos em rublos.

Desde 2014, quando começou a deterioração da relação entre a Rússia e o Ocidente com a eclosão da crise ucraniana, que resultou na anexação da Crimeia, Moscou recebeu mais de 5,5 mil sanções, de acordo com o site de monitoramento de movimentações financeiras Castellum.AI. Metade delas foi após a recente intervenção na Ucrânia, iniciada no último 24 de fevereiro.

No dia 8 de março, os Estados Unidos e o Reino Unido decidiram suspender as importações de combustível russo, enquanto a União Europeia aprovou um plano de redução de 30% da dependência do gás russo nos próximos oito anos. A Rússia fornece cerca de 40% da demanda de gás da Europa.

A medida provocou um aumento recorde do valor do barril de petróleo, que chegou a US$ 130 na última semana. Nesta quarta, o barril era cotado a US$ 114, no início da tarde. Tanto a Agência Internacional de Energia, como a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), alertaram que as sanções gerariam a maior escassez da última década no mercado de petróleo.

A Rússia é o maior exportador de gás e o terceiro maior exportador de petróleo do mundo.

Mais tensões diplomáticas

Nesta quarta-feira (23), o embaixador russo na Polônia anunciou a expulsão de 45 diplomatas russos do país, que deverão abandonar Varsóvia nos próximos cinco dias por realizar atividades que não se ajustam à Convenção de Viena, indicava documento recebido pela diplomacia russa.

O embaixador, Serguéi Andréev, afirmou que as acusações são "infundadas" e que os diplomatas realizavam trabalhos normais e atividades comerciais.

A porta-voz da chancelaria polonesa, Lukasz Jasina, declarou que a decisão foi tomada em "coordenação com aliados".

María Zajárova, representante do ministério de Relações Exteriores da Rússia, declarou que todas as expulsões serão respondidas a altura.

No dia 18 de março, a Bulgária declarou dez diplomatas russos como "pessoa não grata", enquanto a Estônia e a Letônia anunciaram a expulsão de três funcionários russos do país.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores de Belarús publicou um comunicado afirmando que um número não especificado de diplomatas ucranianos teria que sair dentro de 72 horas e que o consulado ucraniano na cidade de Brest seria fechado devido à falta de funcionários.

O conflito entre Rússia e Ucrânia já dura cinco semanas e gerou os deslocamento de cerca de 10 milhões de ucranianos, sendo que 3,5 milhões estão refugiados em outros países, de acordo com as Nações Unidas.

Edição: Arturo Hartmann

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