
Por maioria dos votos dos ministros, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta terça-feira, dia 15, a primeira e mais importante fase do processo que analisa a privatização da Eletrobras (ELET3, ELET6), que o governo pretende realizar até maio deste ano.
As ações da gigante do setor elétrico foram um dos destaques do dia do Ibovespa: as ações ordinárias (ELET3) fecharam com alta de 6,22%, e as preferenciais B (ELET6), com valorização de 6,54%.
Foram seis votos a favor da posição do governo e uma manifestação contrária. Apenas sete ministros votam nesse processo, mesmo o TCU sendo composto de nove ministros. A presidente da Corte, Ana Arraes, está de férias. Em seu lugar, o ministro Bruno Dantas só vota em caso de empate, o que não ocorreu.
Os termos aprovados pelo tribunal, na avaliação do governo, avalizam a privatização da estatal, diferentemente do cenário temido por integrantes do Ministério da Economia e do Ministério de Minas e Energia.
No total, o governo calculou em R$ 67 bilhões os valores relacionados à privatização da Eletrobras. Desse valor, R$ 25,3 bilhões serão pagos pela Eletrobras ao Tesouro Nacional pelas outorgas das usinas hidrelétricas que terão seus contratos alterados. Serão destinados ainda R$ 32 bilhões para aliviar as contas de luz a partir do próximo ano, por meio de fundos do setor elétrico, a Conta de Desenvolvimento Energética (CDE).
Outros R$ 2,9 bilhões serão destinados para bancar a compra de combustíveis para a geração de energia na Região Norte no país, onde algumas cidades não são ligadas ao sistema nacional de energia. O restante será destinado para revitalização de bacias hidrográficas do Rio São Francisco, de rios de Minas Gerais e de Goiás, e para a geração de energia na Amazônia.
As discussões do tribunal nesta terça giraram em torno desse valor, ao definir os parâmetros de preço das outorgas. Ou seja, quanto vale as hidrelétricas que serão concedidas junto com a estatal. Para o mercado, o valor de R$ 67 bilhões já está alto e qualquer reavaliação para cima pode inviabilizar o processo.
O ministro Vital do Rêgo, que havia pedido mais tempo para analisar o caso em dezembro, contestou em seu voto esses valores. O ministro apontou que, em sua avaliação, os valores definidos pelo governo estariam subestimados porque, para ele, seria necessário considerar a potência total das hidrelétricas.
O sistema elétrico, porém, trabalha considerando a geração média e efetiva das usinas, e não a sua potência. Portanto, as hidrelétricas são remuneradas por essa média, e não pelo todo. O governo argumenta que é preciso considerar o valor médio, e não há regra hoje no país para a venda da capacidade (ou da potência do sistema).
A posição do ministro Vital do Rêgo poderia levar à inviabilização da privatização da estatal por elevar ainda mais o preço. Para alguns especialistas do setor elétrico, os valores se tornariam irrealistas.
Fonte: Exame
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