Domingo, 05 de Julho de 2026
19°C 27°C
Alagoinhas, BA
Publicidade

Ibama gastou 41% da verba para fiscalização em 2021

Ibama gastou 41% da verba para fiscalização em 2021

02/02/2022 às 09h46 Atualizada em 02/02/2022 às 12h46
Por: Redação
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Dados do Observatório do Clima apontam que a baixa fiscalização de crimes ambientais não foi por falta de recursos. Enquanto a taxa de desmatamento aumentou, registrou-se o menor número de multas em duas décadas.

O Ibama gastou menos da metade de seu orçamento para fiscalizar crimes ambientais, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (01/02) pelo Observatório do Clima, uma rede que reúne dezenas de organizações civis.

Dos 219 milhões de reais disponíveis, apenas 88 milhões de reais (41%) foram liquidados para fiscalizar crimes ambientais nos biomas brasileiros. O dado revela dois aspectos: não foi por falta de recursos que o desmatamento aumentou em 2021 pelo terceiro ano consecutivo, e o governo federal fez pouco uso da verba extra obtida perante o Congresso justamente para ampliar a fiscalização.

O documento, que usou como base dados públicos do orçamento federal, multas e embargos ao Ibama, leva o nome "A conta chegou: o terceiro ano da destruição ambiental sob Jair Bolsonaro". Seus autores alegaram que não faltou dinheiro, mas vontade do governo de fiscalizar.

A maior parte da verba não utilizada foi destinada a outros gastos do Ibama em 2022, como aquisição de equipamentos, em vez de financiar diretamente as operações de campo. O Ibama gastou cerca de 75% de seu orçamento geral de 1,8 bilhão de reais em 2021, majoritariamente em folha de pagamento, pensões e outros gastos obrigatórios.

"Se Ibama não atua, desmatamento sobe"

O Ibama afirmou à agência de notícias Reuters que a forma mais adequada de mensurar os gastos públicos é por meio do valor que foi comprometido, mesmo que o dinheiro ainda não tenha sido gasto. Mas o Observatório do Clima rebate que o financiamento poderia ter sido empregado em esforços diretos para combater o desmatamento acelerado no ano passado.

Suely Araújo, ex-diretora do Ibama e agora especialista em Políticas Públicas do Observatório do Clima, relatou que, embora o Ibama sempre repasse recursos para o ano seguinte, é incomum que seja um volume tão significativo. Nos três governos anteriores a Bolsonaro, o instituto costumava liquidar entre 86% e 92% dos recursos para a fiscalização.

"Para que seja eficaz, é preciso olhar para o que é gasto e pago, não apenas para o que está comprometido. Se está comprometido, não há como saber se realmente vai se concretizar", disse Araújo. Segundo ela, há uma relação direta entre taxa de desmatamento e fiscalização.

"O Ibama tem uma participação grande historicamente no combate ao desmatamento da Amazônia Legal. Sempre foi uma área prioritária de atuação", disse a ex-diretora. "Quando o Ibama não está atuando bem, o desmatamento sobe."

Bolsonaro enaltece redução de multas e infrações

A redução da aplicação dos recursos destinados à fiscalização ocorre em meio a um novo aumento das taxas de desmatamento – justamente no mesmo ano em que o Brasil prometeu na COP26 acabar com o desmatamento ilegal até 2028. Segundo dados do Inpe, o país perdeu entre agosto de 2020 e julho de 2021 cerca de 13 mil quilômetros quadrados de floresta – a maior área desde 2006.

E se há menos fiscalização, há menos multas. O volume de autos de infração por desmatamento em 2021 foi o menor em duas décadas. O número de embargos de propriedade caiu 70% em relação a 2018. A queda de infrações foi inclusive alvo de elogios: em janeiro, Bolsonaro se gabou de que seu governo teria reduzido em 80% o número de multas.

No fim de 2021, o meio ambiente brasileiro sofreu três derrotas legislativas significativas: o incentivo ao carvão mineral até 2024, a privatização da Eletrobras e a mudança no Código Florestal que repassou a regulamentação das áreas de preservação permanente urbanas aos municípios.

Fonte: DW

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Alagoinhas, BA
20°
Tempo nublado

Mín. 19° Máx. 27°

21° Sensação
1.07km/h Vento
99% Umidade
83% (1.9mm) Chance de chuva
05h55 Nascer do sol
17h21 Pôr do sol
Seg 28° 17°
Ter 29° 16°
Qua 30° 17°
Qui 29° 17°
Sex 29° 17°
Atualizado às 06h01
Economia
Dólar
R$ 5,17 +0,00%
Euro
R$ 5,91 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 344,188,98 +0,43%
Ibovespa
174,070,27 pts 0.74%
Lenium - Criar site de notícias