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O acordo que pode acabar oficialmente com Guerra da Coreia 70 anos depois

O acordo que pode acabar oficialmente com Guerra da Coreia 70 anos depois

13/12/2021 às 17h06 Atualizada em 13/12/2021 às 20h06
Por: Redação
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GETTY IMAGES Legenda da foto, Presidente da Coreia do Sul diz que partes concordam em princípio em declarar fim formal do conflito, mas negociações ainda não começaram por causa das demandas da Coreia do Norte
GETTY IMAGES Legenda da foto, Presidente da Coreia do Sul diz que partes concordam em princípio em declarar fim formal do conflito, mas negociações ainda não começaram por causa das demandas da Coreia do Norte

As Coreias do Norte e do Sul, os Estados Unidos e a China concordam em princípio em declarar o fim formal da Guerra da Coreia, que terminou em armistício, disse o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

Mas as negociações ainda não começaram por causa das demandas da Coreia do Norte, acrescentou ele.

A Guerra da Coreia, que durou de 1950 a 1953, dividiu a península em duas.

Desde então, as Coreias do Norte e do Sul estão tecnicamente em guerra — com o apoio da China e dos EUA, respectivamente — e mantêm um relacionamento tenso.

Moon há muito advoga por uma declaração formal sobre o fim do conflito e estabeleceu como um dos principais objetivos de seu mandato o engajamento com o Norte.

No entanto, observadores dizem acreditar que isso seja muito difícil de alcançar.

As declarações de Moon, que está atualmente visitando a Austrália, ocorreram durante uma coletiva de imprensa em Canberra junto com o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison.

O que a Coreia do Norte quer?

Em setembro, Kim Yo-jong, a poderosa irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, indicou que seu país poderia estar aberto a negociações, mas somente se os EUA abandonassem o que ela chamou de "política hostil" contra a Coreia do Norte.

A Coreia do Norte se opõe sistematicamente à presença de tropas americanas na Coreia do Sul, aos exercícios militares conjuntos realizados todos os anos entre os EUA e a Coreia do Sul, bem como a sanções impostas pelos EUA contra o programa de armas da Coreia do Norte.

Nesta segunda-feira (13/12), Moon disse que a Coreia do Norte continuava a fazer essa demanda como uma pré-condição para as discussões.

Mas os EUA têm dito repetidamente que a Coreia do Norte deve primeiro abandonar suas armas nucleares antes que quaisquer sanções possam ser suspensas.

"Por causa disso, não podemos sentar para uma discussão ou negociação sobre a declaração... esperamos que as negociações sejam iniciadas", disse ele.

O líder sul-coreano já argumentou que uma declaração formal para encerrar a guerra encorajaria o Norte a desistir de suas armas nucleares.

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Análise por Laura Bicker, correspondente de Seul

O tempo do presidente Moon está acabando.

Ele deixa o cargo em março, após cinco anos de apelos sinceros para trazer paz permanente à Península da Coreia.

Mesmo assim, a Coreia do Norte continua mais isolada do que nunca. Os dias de apertos de mão e promessas entre Pyongyang e Seul parecem ter acabado. Por agora.

Tentar trazer um acordo de fim de guerra para a mesa é a última esperança de Moon Jae-in.

Mas ele enfrenta desafios significativos. Os EUA parecem menos entusiasmados com a ideia. O governo Biden está aberto a discussões e, claro, ninguém quer um estado de guerra permanente na península. Mas alguns acreditam que um acordo recompensaria Kim Jong-un sem receber nenhuma garantia em troca.

Os partidários dizem que o acordo é um gesto diplomático — um ponto de partida para dar garantias de segurança à Coreia do Norte. Aqueles que se opõem a isso dizem que Pyongyang poderia usá-lo para exigir a retirada de 28,5 mil soldados americanos da Coreia do Sul e pôr fim aos exercícios militares anuais conjuntos EUA-Coreia do Sul.

A imprensa estatal norte-coreana também descreveu a ideia como "prematura".

Há um problema maior para o presidente Moon. A Coreia do Sul não assinou o armistício. Esse acordo de fim de guerra não é um presente para dar aos livros de história.

Ele pode continuar tentando trazer todas as partes à mesa, mas fazer com que todas concordem com os detalhes seria o equivalente diplomático de escalar o Everest.

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O que os EUA e a China disseram?

Durante uma coletiva de imprensa em outubro, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse que os EUA "podem ter perspectivas um tanto diferentes sobre a sequência precisa ou o momento das condições para as diferentes etapas" de modo a chegar a um acordo sobre uma declaração conjunta.

Enquanto isso, a agência de notícias sul-coreana Yonhap informou na semana passada que o diplomata chinês do alto escalão Yang Jiechi havia prometido o apoio de seu país "ao impulso para a declaração do fim da guerra", citando diplomatas sul-coreanos em Pequim.

O que aconteceu na Guerra da Coreia?

A guerra começou com uma incursão pelo paralelo 38, a fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, por 75 mil soldados do Norte comunista em junho de 1950.

As tropas americanas que apoiavam o Sul entraram na guerra nos meses seguintes e os norte-coreanos, apoiados pela China e pela União Soviética, foram repelidos.

Um impasse sangrento se seguiu e um armistício foi assinado entre os EUA e a Coreia do Norte em julho de 1953.

Cinco milhões de soldados e civis perderam suas vidas no conflito.

Fonte: BBC

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