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Mulher liga para 190 e pede socorro fingindo agendar serviço

Mulher liga para 190 e pede socorro fingindo agendar serviço

11/12/2021 às 15h26 Atualizada em 11/12/2021 às 18h26
Por: Redação
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A mulher que discou 190 e fingiu querer agendar “fazer o cabelo” para denunciar o companheiro por violência doméstica afirma que vivia um relacionamento abusivo com agressões e ameaças. O caso foi registrado na manhã de quinta-feira (9), em Araçatuba, interior de São Paulo.

Com o objetivo de não chamar a atenção do companheiro, a mulher decidiu ligar para a Polícia Militar e fingir que estava combinando horário para uma cliente cortar o cabelo.

“Vivi um relacionamento abusivo, bem conturbado, entre violência física e psicológica. Fingi que eu ia confirmar uma cliente, por telefone, e passei o endereço. Cheguei ao fim do túnel mesmo. Não dava mais para aguentar, senão eu ia acabar morrendo”, afirmou

O homem foi abordado e confessou a agressão, sendo preso na sequência. Confira abaixo a transcrição completa do áudio. Alguns trechos da conversa foram censurados para não expor a vítima.

Atendente: Polícia Militar, emergência.

Vítima: oi, é. Trecho de áudio censurado.

Atendente: pois não, senhora.

Vítima: trecho de áudio censurado.

Atendente: não entendi, senhora. Como posso ajudar a senhora?

Vítima: não, é o endereço.

Atendente: ah, entendi. É o endereço da senhora.

Vítima: é que você me mandou para fazer o cabelo.

Atendente: como é o nome da senhora?

Vítima: não, é que você me mandou para passar o endereço para fazer o cabelo. É fundo. Tem um portãozinho.

Atendente: que bairro que é, senhora? Como é que é o nome da senhora?

Vítima: trecho de áudio censurado.

Atendente: que cidade que é?

Vítima: trecho de áudio censurado. É um salão de beleza.

Atendente: a senhora está precisando da Polícia Militar?

Vítima: tá bom?

Atendente: tá bom!

Vítima: pode ser?

Atendente: pode ser.

Vítima: não. É que você me mandou o endereço para fazer o cabelo, e eu estou te passando. Atendente: endereço para fazer o cabelo? Tá bom, senhora.

Vítima: trecho de áudio censurado. É um portãozinho. Tem até a plaquinha.

Atendente: tá bom, senhora. Disponha da Polícia Militar. Tenha um bom dia.

Vítima: tá bom. Obrigada. Tchau, tchau.

Atuando como estagiário do Centro de Operações da Polícia Militar do Estado de São Paulo (Copom), o cabo Jimmy Carlos da Silva foi o responsável por atender o telefonema. "Atendi com o procedimento operacional padrão da Polícia Militar. A mulher começou a falar o endereço, a numeração, a localização e disse que o corte de cabelo estava marcado", explicou. Incumbido de acompanhar Jimmy, o cabo Cleber William Frare Beneguer percebeu que podia se tratar de um pedido de ajuda.

"A mulher estava meio assustada, mas falando claramente. A entonação de voz deu a perceber que a mulher estava com medo de uma pessoa que estava por perto. O cabo desconfiou da situação", disse Jimmy. Cleber relata que orientou Jimmy a perguntar se a mulher realmente sabia que tinha ligado para a Polícia Militar.

"Ela respondeu que sabia e passou o horário e o endereço. Foi quando orientei o Jimmy a cadastrar a ocorrência, porque, possivelmente, era um pedido de socorro de uma pessoa que estava sendo coagida por alguém e não tinha condições de passar mais informações", explica Cleber.

Por conta da atitude e do treinamento dos policiais, uma viatura foi enviada para o endereço informado pela mulher.

Segundo a Polícia Militar, a mulher correu da casa assim que viu a viatura se aproximar e contou que estava sendo ameaçada de morte e agredida pelo companheiro. A vítima apresentava hematomas no rosto. Ela foi socorrida, encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal e liberada. O agressor foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva. Ele segue à disposição da Justiça em um presídio do interior de SP.

Como denunciar

As mulheres vítimas de violência doméstica podem denunciar o crime acionando a polícia tanto pelo 190, da Polícia Militar, como o 180, da Central de Atendimento à Mulher.

O Ligue 180 é um canal para receber denúncias de violações contra as mulheres. Os casos são encaminhados aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos.

O serviço também orienta as mulheres em situação de violência, direcionando-as para os serviços especializados da rede de atendimento.

Em outubro de 2020, o governo federal lançou um novo canal do Ligue 180, com atendimento pelo WhatsApp. Conforme a plataforma, a pessoa precisa adicionar o número (61) 99656-5008 no aplicativo de mensagens para ter acesso direto ao Ligue 180, além do Disque 100 - serviço de denúncia contra os direitos humanos.

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