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Merkel deixa o cargo após 16 anos e Scholz toma posse na Alemanha

Merkel deixa o cargo após 16 anos e Scholz toma posse na Alemanha

08/12/2021 às 09h25 Atualizada em 08/12/2021 às 12h25
Por: Redação
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Olaf Scholz
Olaf Scholz

Votação no Parlamento oficializou novo governo alemão liderado pelo ministro Olaf Scholz, em aliança entre social democratas, ambientalistas e liberais.

O líder do Partido Social Democrata (SPD), Olaf Scholz, de 63 anos, se tornou o novo chanceler da Alemanha nesta quarta-feira, 8. A transição aconteceu em votação no Parlamento alemão, o Bundestag, após a definição de uma coalizão com maioria parlamentar.

A Alemanha assiste, assim, ao encerramento oficial dos 16 anos de governo da chanceler Angela Merkel, que chegou ao cargo em 2005.

O novo governo será formado por SPD, o mais votado nas eleições de setembro, ao lado dos ambientalistas dos Verdes e liberais do FDP.

A votação foi mais simbólica do que prática. Pelas regras do modelo parlamentarista, os 736 parlamentares alemães, eleitos em setembro, votam para eleger o novo chanceler. Mas, por definição, a coalizão governista já precisa possuir a maioria das cadeiras.

Assim, os parlamentares de Verdes, SPD e FDP votarão para nomear Scholz e terão maioria. Na terça-feira, 7, Scholz, que faz parte do governo Merkel graças a uma "aliança entre rivais" feita em 2017, participou de sua última reunião como ministro.

Entenda os partidos na Alemanha - Posição política:

*Esquerda ou centro-esquerda

.Direita ou centro-direita

 

Partido Social Democrata (SPD)*

[caption id="attachment_53346" align="alignnone" width="284"] Olaf Scholz[/caption]

206 cadeiras

Líder: Olaf Scholz

Posições: Partido tradicional de centro-esquerda, ficou ofuscado ao participar dos governos Merkel (de quem o SPD era historicamente rival). Vitória na eleição de 2021 marca "ressureição" da legenda. Mas o novo chanceler Olaf Scholz, que esteve no governo Merkel, pertence à ala menos de esquerda do partido, e não deve promover grandes mudanças.

União Democrata Cristã (CDU)

[caption id="attachment_53347" align="alignnone" width="275"] Angela Merkel[/caption]

197 cadeiras (com CSU)

Líder: Armin Laschet (antes, Angela Merkel)

Posições: De centro-direita, é o maior partido alemão ao lado do SPD (e faz sempre aliança com o partido-irmão CSU, da Baviera). Esteve 16 anos no poder com Merkel, mas teve seu pior resultado da história em 2021 com desejo de mudança da população e baixa popularidade do novo líder Armin Laschet.

Verdes (Aliança 90/Os Verdes)*

[caption id="attachment_53348" align="alignnone" width="274"] Annalena Baerbock e Robert Habeck[/caption]

118 cadeiras

Líder: Annalena Baerbock e Robert Habeck

Posições: União de dois partidos ambientalistas nos anos 1990, cresceu na esteira da perda de popularidade dos social democratas na esquerda, tendo hoje muitos eleitores entre os mais jovens e progressistas. Com a pauta ambiental em evidência em 2021, teve seu melhor resultado e é agora o terceiro maior do Parlamento.

Partido Democrático Liberal (FDP)*

[caption id="attachment_53349" align="alignnone" width="300"] Christian Lindner[/caption]

92 cadeiras

Líder: Christian Lindner

Posições: Partido liberal clássico fundado em 1948, com defesa de liberdades individuais e econômicas. Em 2017, se recusou a fazer uma aliança com os Verdes no governo Merkel; agora, fez concessões e chega ao governo com SPD e os mesmos Verdes, na coalizão "semáforo". Terá o importante Ministério das Finanças no governo.

Alternativa para a Alemanha (AfD)

[caption id="attachment_53350" align="alignnone" width="284"] Alexander Gauland e Alice Weidel[/caption]

82 cadeiras

Líder: Alexander Gauland e Alice Weidel

Posições: De extrema-direita, fundado em 2013 por dissidentes ultraconservadores de CDU/CSU. Ganhou força na crise dos refugiados e chegou ao Parlamento em 2017. Embora tenha importante número de cadeiras, é isolado pelos outros partidos, incluindo os direitistas. Em 2021, não conseguiu crescer.

Die Linke

[caption id="attachment_53352" align="alignnone" width="300"] Janine Wissler e Hennig-Wellsow[/caption]

39 cadeiras

Líder: Janine Wissler (foto) e Hennig-Wellsow

Posições: Herdeiro do antigo partido comunista da Alemanha Oriental. Hoje, tem posições perto do socialismo democrático, com exceção de facções internas mais radicais. Teve resultado ruim na eleição de 2021, quase não superando a cláusula de barreira. Tem perdido espaço no leste, seu reduto eleitoral, para radicais da AfD, além de para os Verdes entre jovens de esquerda.

 

Os últimos passos para a votação no Parlamento foram tomados nos últimos dias. Após os militantes dos partidos aprovarem as propostas do novo governo ao longo do fim de semana, os líderes assinaram de vez o acordo nesta terça-feira.

A chegada de Scholz marca a volta de uma coalizão liderada pela esquerda ao poder. O SPD havia ficado ofuscado durante os anos de governo Merkel por participar de três das quatro coalizões da chanceler, que é da aliança CDU/CSU, de centro-direita. A vitória nas eleições de setembro é vista por analistas como a "ressureição" do partido.

Merkel deixa o poder com boas taxas de aprovação, mas não suficientes para conseguir eleger seu sucessor, o líder da CDU, Armin Laschet. A falta de popularidade de Laschet, somada ao desejo de mudança da população após quase duas décadas de governo CDU, contribuíram para a vitória do SPD de Scholz.

Apesar da liderança do SPD na coalizão (o partido foi o mais votado da eleição, ganhando 206 cadeiras), o plano de governo firmado entre a coalizão precisou conter um meio-termo entre as três legendas para que todas concordassem com as propostas.

Há pontos como aumento de salário mínimo e políticas de moradia, defendidos pelo SPD, transição energética, defendida pelos Verdes, e não aumento de impostos e rigidez nas contas públicas, pauta do FDP, partido de ideologia liberal clássica e o mais à direita na coalizão.

Os três concordaram também em incentivar a regularização de imigrantes, em meio à queda na natalidade alemã e necessidade de atrair jovens, diante do envelhecimento da população alemã.

Na disputa de forças dentro do novo governo, enquanto os social democratas do SPD terão o chanceler, o FDP terá o importante Ministério das Finanças, no qual deve defender maior controle nas contas públicas. Os Verdes terão, entre outros, o Ministério das Relações Exteriores e o responsável pela transição energética.

Um dos desafios iniciais do novo governo será a nova onda da covid-19: o país lida neste momento com alta de casos e a necessidade de aumentar o número de vacinados. O governo formado já divulgou restrições mais duras para quem não se vacinar, e não descarta medidas como a obrigatoriedade da vacinação.

 

Fonte: Revista Exame

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