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Vai para o exterior? Fintechs oferecem contas em dólar ou euro que prometem reduzir em 10% taxas do câmbio

Vai para o exterior? Fintechs oferecem contas em dólar ou euro que prometem reduzir em 10% taxas do câmbio

22/11/2021 às 10h08 Atualizada em 22/11/2021 às 13h08
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Em alguns bancos digitais, é cobrada taxa de abertura. Alternativa diminui custos em comparação com cartão e dinheiro vivo

Em meio à forte desvalorização do real frente ao dólar, quem pretende viajar para o exterior está cada vez mais interessado em formas de ter algum alívio no câmbio e fazer o dinheiro render mais nas atividades turísticas.

Fintechs e bancos digitais, que brigam para ganhar mais espaço no setor financeiro, resolveram focar nesse público oferecendo o serviço de conta bancária em dólar ou euro aos brasileiros.

A modalidade simplifica as remessas ao exterior e pode reduzir em até 10% custos com taxas e impostos em relação às alternativas tradicionais: compra de moeda em espécie e cartão de crédito internacional.

As transferências em moeda estrangeira para essas contas — que devem ser declaradas à Receita Federal — pagam 1,1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de mesma titularidade, a mesma taxa cobrada, por exemplo, na aquisição de moedas estrangeiras em espécie.

Transações feitas no exterior com cartões pré-pagos ou de crédito pagam 6,38%. Remessas feitas a contas de outra titularidade, 0,38%.

Sem burocracia

A fintech Nomad nasceu há um ano exclusivamente para oferecer serviço de conta bancária em dólar a brasileiros. Inicialmente desenhado para atender a um público viajante no pós-pandemia, o serviço foi mais utilizado no início por quem recebe pagamentos em dólar e faz compras em plataformas de e-commerce estrangeiras.

Até dezembro, a empresa projeta chegar aos 120 mil clientes. A rigor, o consumidor só precisa baixar o aplicativo da empresa e mandar fotos de um documento com foto, como RG ou CNH, para conseguir abrir uma conta nos EUA, por exemplo.

— Com a reabertura das fronteiras dos EUA a vacinados, temos visto aumento nos pedidos. A facilidade está no processo de abertura da conta. A documentação é submetida on-line, a aprovação também. O cartão de débito internacional chega para o cliente no Brasil ou no exterior, mas a liberação do virtual é automática — diz Ernani Assis, diretor de negócios da Nomad.

O depósito inicial precisa ser de ao menos US$ 100 (cerca de R$ 560) e não há cobrança de taxa de abertura ou manutenção de conta. Transferências para outras contas bancárias e recebimentos também são isentos de taxa.

Remessas em 24 horas

As remessas feitas até as 13h do horário de Brasília chegam em até 24 horas ao destino.

A Nomad se financia com a cobrança sobre a taxa de câmbio do dólar comercial, o chamado spread cambial, que é de 2%. Para ganhar mercado, os bancos digitais têm praticado um spread inferior à cobrada geralmente por casas de câmbio.

C6 e B2S, por exemplo, também cobram spread de 2% sobre a cotação do dólar comercial oficial divulgada pelo BC. No mercado, essa diferença cobrada pelos bancos em operações de câmbio pode chegar a 7%.

O escritor Felipe Tenório, 31 anos, abriu uma conta na fintech Nomad no início do ano planejando a viagem que fará em dezembro por Guatemala, Belize e México.

— Em 2015, fiz uma longa viagem de quase um ano e, na época, perdia uma boa parte do dinheiro com cotações de câmbio ruins e taxas, além de demorar dias para receber o dinheiro de uma transferência. Agora, já paguei minha hospedagem a um câmbio mais próximo do dólar comercial — diz Tenório, que pretende usar a conta para receber pagamentos por serviços ao exterior.

O C6 Bank, um dos maiores bancos digitais do país, oferece contas em dólar ou em euro a seus clientes e cobra uma taxa de US$ 30 para a abertura de cada uma. Clientes que tenham investimentos de ao menos R$ 20 mil em CDBs no banco são isentos .

O banco não cobra a abertura ou a manutenção da conta, mas sim US$ 30 se houver inatividade por mais de um ano. No primeiro ano do serviço, nenhuma tarifa foi cobrada.

Caminho para investir

— O serviço foi pensado para uso em viagem, mas vem sendo utilizado também como investimento por clientes que querem alocar recursos em moeda estrangeira. A pessoa pode ir transferindo os recursos para o exterior em vez de comprar um fundo cambial, e assim não paga taxa de administração — afirma Maxnaun Gutierrez, diretor de Produtos e Pessoa Física do C6.

A transferências dos recursos no C6 é instantânea e o cartão de débito internacional demora de 5 a 15 dias para ser entregue. A conta ainda não pode ser usada para receber depósitos ou fazer transferências de outros bancos.

Mais acessível

Carlos Eduardo de Andrade Junior, diretor-executivo do BS2, que oferece conta em dólar nos EUA a pessoas físicas e jurídicas, conta que o serviço tem se popularizado:

— Antes dessas opções de conta internacional, ou você era extraordinariamente rico e recebia uma oferta dos times de private banking dos bancos tradicionais para ter conta no exterior ou pegava um avião para abrir uma conta com uma enormidade de tarifas. Agora, a classe média acessa o serviço.

O BS2 também não tem taxas de abertura ou manutenção de contas, mas cobra US$ 15 para transferências a outros bancos e o mesmo valor para recebimentos.

A Wise, ex-TransferWise, oferece aos brasileiros a conta multimoeda no exterior, com possibilidade de receber pagamentos em dez moedas, inclusive dólar e euro. O câmbio usado na conversão é o do dólar comercial e, além do IOF de 1,1%, há uma taxa pelo uso do serviço que varia a depender da forma escolhida para transferir o dinheiro à Wise.

As opções são TED, boleto, Pix ou cartões. A mais barata é de 1,04%. A empresa ainda não emite cartão de débito da conta internacional no Brasil.

Fonte: O Globo

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