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Fim do mistério: fardos encontrados em praias do Nordeste pertenciam a dois navios nazistas

Fim do mistério: fardos encontrados em praias do Nordeste pertenciam a dois navios nazistas

15/10/2021 às 10h50 Atualizada em 15/10/2021 às 13h50
Por: Redação
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Fardos encontrados em praia de Coruripe, em Alagoas Foto: Divulgação
Fardos encontrados em praia de Coruripe, em Alagoas Foto: Divulgação

Objetos foram localizados em agosto deste ano no litoral da Bahia e de Alagoas; material estava em embarcação afundada na Segunda Guerra Mundial.

Fardos de borracha encontrados no litoral da Bahia e de Alagoas, em agosto deste ano, pertenciam a um segundo navio nazista. Objetos semelhantes já haviam sido localizados anteriormente, em 2018, e foram identificados como carga de uma embarcação alemã afundada na Segunda Guerra Mundial. Mas pesquisadores descobriram que os materiais avistados recentemente na costa brasileira eram transportados em um outro cargueiro alemão.

O estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) concluiu que os novos fardos de borracha são provenientes do navio de carga alemão MV Weserland. A embarcação foi naufragada pela Marinha Americana em janeiro de 1944. Já os fardos que apareceram há três anos faziam parte da carga de outro navio, o SS Rio Grande, também naufragado em combate no mês de janeiro de 1944.

Buscas pelo valioso estanho - Os pesquisadores observaram que os fardos mais recentes tinham inscrições em ideogramas japonês. Já os objetos encontrados anteriormente tinham inscrições da Indochina. Outro elemento considerado para a diferenciação, pelos pesquisadores, é o aparecimento de fardos em Salvador, neste ano. Em 2018, os objetos encontrados não foram vistos na capital baiana.

- Duas coisas chamaram a nossa atenção: primeiro a grande quantidade de fardos neste ano, mais de 200 na Bahia, Sergipe e Alagoas. Era uma quantidade grande demais para ser considerado residual. Outro fator foram as fotos enviadas por um colega de Alagoas. Nelas haviam ideogramas em japonês, que depois identificamos como do tipo kanji. Isso não tinha no outro. Então ligou o alerta de que não seriam os mesmos fardos - explicou o professor Luis Ernesto Arruda Bezerra, do Instituto de Ciências do Mar, da UFC.

Bezerra e seu colega, o professor Carlos Peres Teixeira, começaram a vasculhar bancos de dados sobre navios de guerra naufragados. Em seguida, eles entraram em contato com o pesquisador britânico David Mearns, especializado na localização de naufrágios. O inglês confirmou que no começo deste ano houve uma tentativa de recuperar a carga de estanho que também era transportada no MV Weserland.

- O preço do estanho triplicou no começo de 2021, porque é usado em componentes eletrônicos. Com a pandemia, houve aumento na demanda e ele se tornou o produto mais promissor na bolsa de Londres. Então tentaram recuperar a carga desse navio e isso fez com que os fardos se soltassem - disse Bezerra.

Os pesquisadores também criaram modelos matemáticos para simular a ação dos ventos e das correntes oceânicas. Os resultados mostraram que os fardos seriam trazidos exatamente para os locais onde foram encontrados se soltos onde o MV Weserland está naufragado.

Apesar de terem sido transportados em diferentes navios, os fardos possuem as mesmas características. Eles pesam até 200 kg e na verdade são "folhas" de látex dobradas diversas vezes. Trata-se de matéria prima para borracha utilizada nos pneus e armas do exército alemão.

O MV Weserland afundou em janeiro de 1944, a cerca de 1.600 km da costa brasileira, nas proximidades das Ilhas de Santa Helena, um território britânico situado no Oceano Atlântico.

O SS Rio Grande foi atingido por um Destroyer americano em janeiro de 1944. Ele está afundado a 1 mil km de Recife (PE), em linha reta, a 5,6 mil metros de profundidade. Até o ano passado era o naufrágio mais profundo já alcançado por um robô.

Em 2018, quando os fardos do SS Rio Grande apareceram no litoral brasileiro, houve uma tentativa de recuperar uma carga de cobalto que era transportada pela embarcação. Naquela altura, o preço do metal estava em alta pois tinha passado a ser usado em baterias de carros elétricos.

 

Fonte: Jornal O Globo

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