O advogado Luís Felipe Belmonte, vice-presidente do Aliança pelo Brasil, partido que Jair Bolsonaro quer criar, afirmou que a equipe do filho 04 do presidente lhe pediu ajuda financeira para abrir uma empresa. O dirigente do Aliança disse à Folha que lhe foi solicitada uma quantia entre R$ 5.000 e R$ 10 mil para contribuir com a montagem da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, mas que o dinheiro não chegou a ser depositado.
Belmonte disse que o pedido foi feito por Allan de Lucena, ex-parceiro de Renan no negócio e também o seu ex-personal trainer. Por meio de sua defesa, Allan negou a versão. Afirmou que o advogado ligado ao Aliança, com o objetivo de estreitar relações com o presidente da República, ofereceu a ajuda financeira. Disse também que o dinheiro foi repassado e pago diretamente à arquiteta que assinou o projeto da empresa de Renan, que assinou contrato e emitiu nota fiscal pelo serviço. Procurado pela Folha, Renan não respondeu.
Belmonte não explicou por que o dinheiro acabou não sendo transferido e disse desconhecer o repasse feito à arquiteta mencionada por Allan. "Mandei localizar o que havia com relação ao caso e fui informado pela minha equipe de que na verdade não foi feita nenhuma transferência, ajuda ou depósito meu ou de qualquer empresa minha a Renan Bolsonaro ou à empresa dele."
A empresa foi inaugurada em outubro do ano passado, com um capital de R$ 105 mil. Ela é investigada pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, sob a suspeita de tráfico de influência junto ao governo federal.
A Bolsonaro Jr tem como finalidade a organização, promoção e criação de conteúdo publicitário para feiras, leilões, congressos, conferências e exposições comerciais e profissionais.
O advogado de Allan, Luiz Gustavo Pereira da Cunha, rechaçou a versão de que seu cliente procurou Belmonte para pedir apoio financeiro para a empresa de Renan. "Na verdade, quem procurou todo mundo foi Luis Felipe Belmonte. Ninguém o procurou", disse. "Na sanha de se aproximar do presidente, procurou Renan e que se ofereceu para ajudar nos custos."
O representante de Allan afirmou ainda que seu cliente prestará todos os esclarecimentos à Polícia Federal, encarregada de apurar a atuação da Bolsonaro Jr Eventos.
Procurado novamente pela reportagem, Belmonte afirmou que já estava próximo do presidente e era o vice-presidente do partido na ocasião. "Estávamos já fazendo o partido. Não teria sentido eu fazer isso pra me aproximar de uma coisa que eu já estava fazendo", declarou. "Nunca procurei por eles. Allan procurou minha equipe e fez o primeiro contato. A partir daí eu os recebi", disse.
Belmonte declarou também que ajudou Renan a procurar uma sede para o seu novo empreendimento. Para isso, disse que fez a interlocução entre o filho do presidente com o presidente do Arena BSB, Richard Dubois, que administra o Estádio Mané Garrincha, onde é situada a empresa.
O empresário disse que levou Renan a um show da banda americana Maroon Five realizado no estádio e os dois se conheceram. Procurada, a assessoria do Arena BSB não quis informar o valor do aluguel do espaço cobrado a Renan e disse que não comenta condições comerciais de seus clientes, "mas assegura que as condições e tratamentos do Camarote 311 são semelhantes aos dos demais clientes”.
Belmonte disse que conheceu Renan durante o lançamento da frente parlamentar dos jogos eletrônicos da Câmara, em março do ano passado. O presidente do grupo, Coronel Chrisóstomo (PSL-RO), é seu aliado. Com as relações mais estreitas, o dirigente do Aliança disse que visitou a empresa de Renan antes da inauguração e esteve com o ex-parceiro de negócios do filho do presidente, Allan de Lucena, assim como com a mãe de Renan, Ana Cristina Siqueira Valle, em seu escritório.
A Folha noticiou em dezembro do ano passado que a cobertura da inauguração da empresa de Renan foi realizada gratuitamente por uma produtora de conteúdo digital e comunicação corporativa, a Astronautas Filmes, que presta serviços ao governo federal. Somente no ano passado, a empresa recebeu ao menos R$ 1,4 milhão do governo Bolsonaro. A empresa prestou serviços para os ministérios da Educação, Saúde e Casa Civil.
A revista Veja revelou em novembro que Renan visitou as instalações de um grupo empresarial do Espírito Santo que comercializa material de construção. Logo depois, afirmou a revista, o grupo deu um carro elétrico a Renan, avaliado em R$ 80 mil, e conseguiu uma audiência com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para apresentação de um projeto.
Com informações do Plantão Brasil e da Folha de São Paulo
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