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Covid-19. Quem cobra novos leitos, deve fazê-lo ao Ministério da Saúde, não aos governadores

Covid-19. Quem cobra novos leitos, deve fazê-lo ao Ministério da Saúde, não aos governadores

22/02/2021 às 09h26 Atualizada em 22/02/2021 às 12h26
Por: Redação
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Ministério da Saúde reduz pela metade os leitos de UTI para covid-19 custeados pela pasta em fevereiro de 2021.

Apesar do agravamento da pandemia de coronavírus no Brasil, este mês de fevereiro deverá contar com apenas metade dos leitos de UTI exclusivos para tratar pacientes com a covid-19 financiados pelo Ministério da Saúde. A pasta federal paga parte dos custos ao lado de Estados e municípios pelos leitos intensivos utilizados. Segundo dados apresentados na semana passada, havia 7.717 leitos vigentes no mês passado e 3.187 em fevereiro.

Um total de 13.045 leitos estão sem habilitação federal, aponta o levantamento feito pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Saúde (Conass) e não há perspectiva de solução rápida, pois dependeria de recursos do Orçamento que ainda precisa ser votado no Congresso Nacional. A situação tem preocupado os gestores locais, que precisarão arcar com estas despesas em meio a uma subida de casos e internações ―e consequentemente a necessidade de mais leitos. São várias as regiões do país que já sentem uma forte pressão sobre os seus sistemas de saúde: oito capitais têm mais de 80% dos seus leitos de UTI ocupados. E o Conass aponta que vários Estados estão fechando leitos por não terem condições de mantê-los sozinhos, quando deveriam estar ampliando a rede.

Os gestores locais temem que outros locais do país vivam situações dramáticas como a do Amazonas em um contexto de circulação de uma nova variante potencialmente mais transmissíveis e vacinação ainda lenta no país. O Estado perdeu completamente o controle de seu sistema de saúde em cerca de dois meses e viu pacientes morrerem asfixiados pela falta até de oxigênio nos hospitais enquanto a fila de pacientes por um leito também se alongava. Mais de 400 pessoas já foram transferidas do Amazonas a outros Estados nas últimas semanas em busca de assistência médica. No fim de janeiro, o próprio ministro Pazuello previu cem mortes diárias em Manaus sem transferência maciça dos pacientes. “O receio é de que o mesmo aconteça em outros locais do país. Este é o pior momento que a gente teria para fechar leitos”, argumenta o presidente do Conass e secretário da Saúde do Maranhão, Carlos Lula.

Embora tenha havido um corte mais abrupto neste ano, Carlos Lula explica que cortes na habilitação de leitos de UTI para a covid-19 pelo ministério vêm ocorrendo paulatinamente desde meados do ano passado. “Chegamos a ter 17.000 leitos e hoje temos em torno de 3.000 habilitados. É como se o ministério dissesse que agora Estados e municípios terão que manter sozinhos [a assistência]. Isso pode levar ao limite da falta de leitos”, afirma. Segundo ele, o ministério custeava estes leitos de UTI com 1.600 reais, e Estados e municípios aportavam o restante, já que a diária custa em média 2.500 reais.

O presidente do Conass conta que o problema foi levado ao Ministério da Saúde em várias ocasiões, inclusive salientando a necessidade de prever estes recursos no orçamento para o enfrentamento à doença.  “O ministério não se planejou ou se planejou para a covid-19 ter terminado no final ano passado”, analisa. Carlos Lula diz que, agora, esta é uma reclamação de todos os Estados e municípios. E que as respostas da pasta indicam apenas que está tentando negociar recursos no orçamento em nível de Governo Federal. “Mais do que isso não diz. A proposta orçamentária é insuficiente. Basicamente, é a de 2019 com 1% a mais, como se covid-19 não tivesse existido em 2020″, acrescenta. Uma comissão ainda está sendo formada no Congresso para discutir, com atraso, o Orçamento do Governo deste ano.

Para o presidente do Conass, o corte de leitos de UTI financiados pelo ministério é “extremamente preocupante”, especialmente quando a curva de infecções cresce no país e o ritmo de vacinação ainda está bastante lento. As doses disponíveis até o momento são escassas e dirigidas a um grupo restrito da população. Segundo ele, o Governo tem sinalizado que comprará as vacinas que tiverem aval da Anvisa para uso no país. No entanto, até a vacinação em massa virar realidade no país, é preciso garantir a assistência aos pacientes com covid-19.

 

Fonte El País

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