
O Banco Digimais voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após a divulgação de avaliações que apontam grave deterioração de sua situação financeira. Um dia antes da deflagração da Operação Concussio, da Polícia Federal, uma agência de classificação de risco já alertava para a possibilidade real de quebra da instituição, evidenciando o agravamento de sua condição patrimonial e operacional.
Em relatório divulgado em 22 de junho, a agência internacional Fitch Ratings rebaixou a nota nacional de longo prazo do Digimais para CCC(bra), classificação associada a elevado risco de inadimplência e forte vulnerabilidade financeira. Na mesma decisão, a agência retirou todos os ratings da instituição, encerrando o acompanhamento formal de sua situação de crédito.
Segundo as avaliações de risco, a deterioração está relacionada principalmente à elevada exposição do banco a fundos de investimento alternativos, cuja precificação e capacidade de recuperação passaram a ser alvo de questionamentos. Relatórios apontam que parte significativa desses ativos recebeu ressalvas de auditoria, aumentando as incertezas sobre o real valor do patrimônio da instituição.
Outro fator destacado pelas agências foi a fragilidade do capital regulatório. O Digimais registrou índices de capitalização abaixo dos níveis mínimos exigidos pelo Banco Central, mesmo após sucessivos aportes realizados pelos controladores nos últimos anos. A necessidade recorrente de injeção de recursos passou a ser vista como um sinal de vulnerabilidade estrutural do banco.
As análises também apontam deterioração na qualidade da carteira de crédito e redução da rentabilidade. O modelo de negócios do banco tornou-se cada vez mais dependente do desempenho de investimentos alternativos, o que aumentou a volatilidade dos resultados e reduziu a previsibilidade financeira da operação.
O cenário de instabilidade ganhou novos contornos com a deflagração da Operação Concussio, da Polícia Federal, que resultou no bloqueio judicial de mais de R$ 670 milhões. A ação investigou suspeitas relacionadas à atuação de integrantes do sistema financeiro e ampliou a atenção do mercado sobre a situação do Digimais. De acordo com reportagens publicadas na imprensa, o alerta emitido por analistas de risco ocorreu às vésperas da operação policial, demonstrando que a empresa já estava em uma situação crítica.
A sucessão de rebaixamentos, alertas sobre a qualidade dos ativos e investigações em andamento coloca o Digimais em uma das situações mais delicadas do sistema financeiro brasileiro em 2026. Para especialistas, os próximos passos envolvendo as apurações das autoridades serão determinantes para definir o futuro do banco e seus impactos sobre clientes, investidores e credores.
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