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Ex-deputado é preso por suposta ligação com fuga de detentos em Eunápolis

Investigação do MP da Bahia aponta negociação de R$ 2 milhões para facilitar evasão no Conjunto Penal e revela apropriação de versos de “As Rosas Não Falam” como código de criminosos

17/04/2026 às 08h31
Por: Redação Fonte: Ascom MPBA
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Ascom MP
Ascom MP

O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (16), em Praia do Forte, município de Mata de São João, durante a Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), unidades da capital e regional sul, além do Grupo de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep).

Segundo as investigações, o ex-parlamentar teria negociado com integrantes de organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões para facilitar a fuga em massa registrada em dezembro de 2024, quando 16 internos escaparam do Conjunto Penal de Eunápolis.

Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, apontado como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção de atuação regional com ligação ao Comando Vermelho. Conforme o MP, ele estaria atualmente no Rio de Janeiro, de onde continuaria comandando ações criminosas na região do extremo sul baiano.

Além do mandado de prisão, foram cumpridas ordens de busca e apreensão em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. As medidas também alcançaram um ex-vereador de Eunápolis e um advogado. As decisões judiciais partiram da 1ª Vara Criminal de Eunápolis.

De acordo com os promotores, a fuga não ocorreu de maneira isolada, mas dentro de uma estrutura criminosa articulada, envolvendo membros da facção e o uso de influência política e institucional para viabilizar a ação.

O nome da operação chamou atenção por registrar a apropriação de uma referência cultural brasileira pelo crime organizado. “Duas Rosas” remete ao valor estimado da propina negociada. Durante as apurações, a palavra “rosa” era utilizada como código para dinheiro em conversas interceptadas, com expressões como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” e “choram as rosas”.

As frases fazem alusão direta à canção “As Rosas Não Falam”, clássico do sambista Cartola, transformado, segundo a investigação, em linguagem cifrada para tratar de pagamentos ilícitos.

 

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