Em entrevista ao apresentador Ailton Borges, da Digital FM de Alagoinhas, o deputado estadual Joseildo Ramos (PT) falou nesta quinta-feira (04) sobre o projeto de Reforma da Previdência, que caminha para votação em plenário na Câmara Federal. Rebatendo as declarações do deputado federal Paulo Azi (DEM), feitas no dia anterior, Joseildo julgou a proposta como um retrocesso que fragiliza o trabalhador. “Ontem, o ouvi falando em modernização das leis do trabalho. Chamar de modernização a retirada do equilíbrio da relação com o trabalhador em favor daqueles que já têm tanto poder? Isso é atraso. Não existe nada mais arcaico”, afirmou.
Segundo Joseildo, Azi “cometeu um deslize” ao dizer que a atual legislação “protege demais” o empregado. “O trabalhador não tem o poder do capital, tem o sindicato. A lei é um contrapeso da democracia. Dizer que isso aí protege demais o trabalhador dá uma ideia de como pensa o deputado”, pontuou. O parlamentar também falou sobre a importância da Justiça do Trabalho na mediação dos conflitos entre patrões e empregados, e alertou sobre a fragilização do trabalhador neste novo cenário. “Quando se coloca o acordo acima da lei, o juiz do trabalho não pode arbitrar mais nada. Além disso, o acesso vai ser dificultado. Quando um empregado procurar a justiça, vai passar a arcar com as despesas do perito. Como é que um desempregado vai fazer isso?”, questionou, lembrando ainda que quase metade das ações trabalhistas que tramitam no país são sobre verbas rescisórias não pagas pelas empresas aos empregados.
Ainda durante a entrevista, o parlamentar também questionou o argumento do governo ao capitanear as reformas. De acordo com Joseildo, ao contrário do que havia sido reiterado anteriormente por Azi, o desequilíbrio nos gastos do governo estão mais relacionados à dívida pública do que às aposentadorias e à assistência social. “Ele esqueceu de dizer uma coisa que todo mundo sabe. A maior parcela que o governo brasileiro paga a partir da sua arrecadação são os juros a serviço da dívida pública. Por que o governo brasileiro não chama os banqueiros para discutir qual a parte que eles vão colocar à disposição de melhorar o país? Por que tudo tem que cair no colo do trabalhador?”, questionou.