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Terreiro é alvo de ataques em Salvador

Ilê Axé Oyá Ogun Silé Omo, no Sto. Antonio, vem sofrendo ataques violentos de vizinhos contra cultos

01/03/2024 às 07h51
Por: Redação Fonte: A Tarde
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Sacerdotisa Mãe Marta conta que agressões se agravaram na última quarta-feira - Foto: Denisse Salazar /AG. A TARDE
Sacerdotisa Mãe Marta conta que agressões se agravaram na última quarta-feira - Foto: Denisse Salazar /AG. A TARDE

O terreiro Ilê Axé Oyá Ogun Silé Omo, localizado no Santo Antônio Além do Carmo e liderado pela sacerdotisa Mãe Marta de Yansã, vem sofrendo uma série de violências e ataques de vizinhos que não aceitam a comunidade religiosa, os cultos no local, dando margem a uma série de atitudes de intolerância religiosa.

Segundo a iyalorixá, as agressões tiveram o ápice na última quarta-feira, dia em que a religiosa comemorou o seu nascimento para o axé, seu odu. Ela precisou colocar os atabaques na rua, para tomar sol e a partir daí surgiu a desavença com seu vizinho inglês, Charles Butler que provocou a sacerdotisa, alegando que ela não respeitava os limites sonoros. Na discussão Charles proferiu diversos insultos a Mãe Marta, cometendo intolerância religiosa e racismo.

“Ele me chamou de preta, disse que meu candomblé não vale de nada, que quero mandar na rua e nas pessoas, e que ninguém aqui gosta de mim. No meio da discussão ele se achou no direito de derrubar meu atabaque no chão, quebrou minha mesa, jogou minhas cadeiras longe, na casa da vizinha. Após a briga, ele instalou uma câmera em direção a minha casa. Estou saindo de casa com medo. Estou pedindo socorro! Ou vão esperar que aconteça comigo, o que houve com Mãe Bernadete? Já prestei queixa e fui a diversos órgãos como o Ministério Público e ninguém toma nenhuma providência efetiva”, ressaltou.

Gabrielle Teles, 31, testemunhou a discussão e se espantou com a falta de respeito com a yalorixá e a comunidade religiosa “Essa foi uma situação que traz à tona uma série de outros fragmentos de intolerância religiosa e como existe a necessidade de ter o braço da jurisprudência para contornar e combater essas situações para que não ocorram mais, pois o candomblé precisa ser respeitado”, comentou.

Mãe Marta de Yansã alega que toca o candomblé nos horários estabelecidos pelas regras municipais, iniciando por volta de 14 horas e concluindo por volta de 20 horas, por entender a necessidade de respeitar o silêncio da comunidade.

Ela contou que antes de fazer as festas que ocorrem na rua, duas ao ano, vai em todos os órgãos da Prefeitura para obter todas as licenças necessárias.

Apoio a vítimas

O Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), oferece apoio psicológico, social e jurídico a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia, desde dezembro de 2013.

A Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia, Ângela Guimarães, ressaltou a importância do Centro de Referência Nelson Mandela no combate à intolerância religiosa. "Infelizmente, a liberdade de crença e culto ainda não é uma realidade para todas as pessoas, especialmente para aquelas de religiões de matriz africana, que continuam sendo as principais vítimas de intolerância religiosa no país. Por isso, estamos fortalecendo o Centro de Referência Nelson Mandela, que é uma das portas de entrada para receber, encaminhar e acompanhar qualquer denúncia de violação racial ou religiosa, garantindo apoio psicológico, social e jurídico às vítimas. É fundamental assumir o compromisso coletivo de construir uma sociedade harmoniosa e plural, que respeite as diferentes expressões de fé."

*Sob a supervisão da jornalista Hilcélia Falcão

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