Nathan Lopes Do UOL, em São Paulo
18/10 12:55
O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, se reuniu nesta quinta-feira (18) em um hotel de São Paulo com cerca de 200 membros do universo jurídico para receber apoio à sua candidatura contra a de Jair Bolsonaro (PSL). Para o grupo, formado por cerca de 1.500 juristas, o candidato do PSL que representa a "barbárie" e um risco à democracia.
Com nomes tarimbados, como Antônio Cláudio Mariz, ex-advogado do presidente Michel Temer (MDB), e Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos defensores mais requisitados por políticos em Brasília, o evento foi marcado pelo discurso em defesa da Constituição e contra a "desconstrução completa da história".
O grupo escreveu um manifesto, antecipado pelo UOL na última terça-feira (16), que já conta com o apoio de 1.500 nomes. Eles são contrários a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). O grupo vê na promoção de discursos de ódio e intolerância feitos por Bolsonaro um risco à democracia no país.
"Eu vejo gente afirmando, e por pura ignorância, que o nazismo foi um movimento de esquerda. Outro dia, um sujeito disse que a Ku Klux Kan é de esquerda", comentou o advogado criminalista Fábio Tofic Simantob, defensor de investigados na Operação Lava Jato e presidente do IDDD.
Para Simantob–que citou a "desconstrução da história"--, o objetivo principal do grupo não é apenas demonstrar apoio a Haddad, mas "frear a candidatura e esse projeto de poder e de ódio que está em curso"
Também participaram do encontro nomes como Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e diplomata brasileiro que atua na ONU (Organização das Nações Unidas), e o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello.
Os discursos mais inflamados foram feitos por Kakay e Mariz. O ex-advogado de Temer disse que o país já está na "escuridão" e afirmou que a barbárie está camuflada de antipetismo. "Estou perplexo, estou cheirando a barbárie que está se instalando no país.
Mariz declarou que não é eleitor do PT, mas que votará em Haddad. "Eu não sou petista, mas sou antibarbárie." Para Kakay, Bolsonaro "é contra qualquer direito" e que, "quem vota nele, está assumindo esse lado dele". "Nosso partido hoje é a Constituição Federal", disse o advogado, reforçando que agora ser revolucionário é cumprir a Constituição".